Pular para o conteúdo principal

MARLON BRANDO



Por Rubens Ewald Filho - Portal R7

Hoje se relembra o aniversário da morte do maior astro de sua geração, Marlon Brando (03 de abril 1924 - 1° de julho de 2004). Há algum tempo atrás escrevi este texto que continua atual.

Quando eu era criança se falava muito em Marlon Brando como o maior ator de sua geração. Suas excentricidades, seu lendário talento, seu tremendo ego, suas manias e romances (preferência acentuada pelo exotismo, foi casado com uma taitiana, uma mexicana mais velha que ele, Rita Moreno. Uma porto-riquenha tentou se matar por ele, Pina Pellicer, que ele dirigiu em A Face Oculta, ela se matou logo depois das filmagens). Mas não conseguia ver tudo isso na tela. Ao menos no que dava para eu assistir como moleque. Ele fazendo Desirée, o Amor de Napoleão, ao lado de Jean Simmons (eu preferia o estilo natural dela, os dois estariam juntos também em Eles e Elas (Guys and Dolls), o musical em que ambos cantavam, ela certamente melhor que ele), o Brutus que ele interpretou no Julio Cesar de Shakespeare (que é tão esquisito que eu não sabia se ria ou levava a sério).

Enfim, não via na tela o que justificasse tal furor. Mesmo em Sindicato dos Ladrões, que nunca achei essas maravilhas. Em parte porque era uma justificava da delação (essa conclusão veio obviamente um pouco mais tarde porque a fita foi algumas vezes reprisada e revista), em parte pela mania de Brando de gostar de cenas em que leva surras, aparece todo arrebentado (preste atenção, quando ele pode sempre tem uma cena assim por exemplo em O Grande Motim, Caçada Humana). E para piorar, o Jô Soares cada vez que me encontrava dizia que eu era parecido com o Brando (anos depois cobrei isso dele, Jô insistiu.
- Você continua parecido com ele, o Brando é que não se parece mais com ele mesmo!

Fico honrado com a semelhança, mas tenho minhas duvidas. Tudo isso para dizer que para minha geração que se formava Brando era um modelo, o “ator” por excelência como talvez hoje as pessoas pensem em Robert DeNiro ou talvez Kevin Spacey em determinado momento, ainda que mal comparasse, porque ambos foram beber na fonte que Brando abriu (para se ter uma ideia todos os grandes de ali em diante, o venerável Paul Newman, o mítico James Dean, foram vistos como imitadores de Brando que criou o estilo de interpretar que passou a ser visto como o do Actor´s Studio, o chamado método de interpretação criado na Rússia por Stanislawski e aperfeiçoado por Lee Strasberg e outros em Nova York no final dos anos 40, começo dos 50.

Cheguei a perguntar a Elia Kazan sobre Brando que confirmou o excepcional talento que Brando tinha que era até assustador, era uma força da natureza quando ele o dirigiu no primeiro grande sucesso de antes, a peça A Streetcar Named Desire (Um Bonde Chamado Desejo) que depois virou em filme Uma Rua Chamada Pecado, o belo texto de Tennessee Williams.

Esse filme, porém era inacessível para a gente, passei anos atrás dele, não existia no Brasil nem em teve (talvez por ser preto e branco) até finalmente alguém gravá-lo para mim fora. (Hoje ele existe até em DVD por aqui). Foi só então que eu compreendi tudo. A cena em que Brando entra na casa da mulher Stella, tira a camisa, se lava na pia, sob o olhar assustado, mas interessado da cunhada Blanche Du Bois, é certamente o momento mais erotizado da figura masculina no cinema até então. Era sensualidade pura (coisa que na época ninguém sabia dizer, não existia revista Nova que coloca fotos dos diferentes tipos de pênis para as mulheres escolherem e diferenciarem). Eram tempos mais ingênuos e o choque era até cultural.

Ninguém fazia como ele, falando com a boca cheia, cuspindo, grosso mesmo, mas com enorme verdade, carisma, força, garra, presença. Não falava tudo certinho como era moda no teatro de Laurence Olivier, falava como na vida, por vezes até exagerando (parecia que tinha uma batata quente na boca). Mas quem ver o Stanley Kowaslki dele nesse trabalho irá entender tudo. O impacto que Brando causou (dizem que ele era bonito demais até quando quebrou acidentalmente o nariz o que lhe roubou a perfeição, mas ajudou na carreira porque lhe deu caráter) e porque provocou tantas imitações.

Parecia que ele tinha uma fome insaciável de tudo, de sexo, de viver, de comida, porque isso mesmo como a figura do Pantagruel, não fiquei tão chocado de ver Brando no fim da vida setentão com uma figura enorme. Fazia todo sentido, ele sempre foi um homem de excessos, de apetites vorazes, de grandes paixões, grandes escândalos (o filho que teve com a indiana Anna Kasfhi matou o namorado da irmã que por sua vez se suicidou), de grandes causas (recusou o segundo Oscar por O Poderoso Chefão, por causa do tratamento que os americanos tinham dado aos índios! Chegou mesmo a narrar um documentário sobre o índio brasileiro), de muitas loucuras (lembrem que ele comprou um arquipélago no Tahiti onde viveu anos cercado de concubinas e filhos variados).

Claro que ele é uma lenda e hoje não dá mais para separar da realidade. É famosa sua dificuldade para guardar diálogos e texto (e o papel que vivia colocando no cenário ou nos outros atores para ler o que tinha a dizer, hoje mais prático usa um ponto no ouvido para lhe passarem o texto). É igualmente notório o dinheiro que ganhou (milhões por algumas cenas como no Superman I, mas bem gastos porque foi isso que deu credibilidade ao projeto). E o que gastou.

Mas ninguém tão carismático. Lembram de Apocalypse Now?!: (ele aparece de cabeça raspada, dizendo frases sem sentido ou politizadas, mas só mesmo um Brando para justificar toda aquela jornada pelo inferno pelo qual passa o personagem). Ou seja, uma lenda a gente não discute, aprecia ou rejeita, tampouco se pode negá-la (quase esquecia de mencionar sua esplendida participação em O Último Tango em Paris, onde mais se expôs, inclusive em monólogos que lembram algumas situações pessoais). Aquele meu espanto juvenil hoje se transformou em total respeito. E por que não, admiração.

Marlon Brando Essencial – seus melhores momentos em ordem cronológica

Uma Rua Chamada Pecado (A Streetcar Named Desire) de Elia Kazan, 51 - Explode no palco e na tela e o cinema nunca mais será o mesmo.



Viva Zapata! (idem) de Kazan, 52- O melhor filme político de todos os tempos, nele está tudo que se precisa saber revoluções. Brando está todo maquiado de mexicano.

O Selvagem (The Wild One, 53) de Lazlo Benedek - No auge da carreira, tem a ousadia de fazer um “hell angel”, um motoqueiro rebelde num filme B.

Sindicato de Ladrões (On the Waterfront, 54) - Seu primeiro Oscar, a última vez com Kazan (que não perdoou por ter dedado os antigos amigos).

A Face Oculta (The One Eyed Jacks, 61)- O único filme que dirigiu, um faroeste inteligente e diferente, que ele assumiu no lugar de Kubrick.

Quando os Irmãos se Defrontam (The Ugly American, 63) de George Englund. Produzido por ele, denuncia já a situação no Vietnã, que depois iria crescer na famosa guerra.

Dois Farristas Irresistíveis (Bedtime Story, 64) de Ralph Levy. Este é cult e raridade, não tem em DVD. Brando sem a menor vergonha de fazer comédia no filme que deu origem depois ao também bom Os Safados (88).



Caçada Humana (The Chase, 66) de Arthur Penn - Ele já esta exagerado e o roteiro é um pouco esquemática, mas os brasileiros na época adoraram seu encontro com Jane Fonda e Robert Redford.

Os Pecados de Todos Nós (Reflections in a Golden Eye, 67) de John Huston. Um filme fascinante, onde ele faz militar homossexual numa coleção incrível de taras toda filmada em tons dourados.

Queimada (Idem, 69) de Gillo Pontecorvo - Ainda que afetado, é uma absorvente parábola sobre o colonialismo.

O Poderoso Chefão (The Godfather, 72)- Não é à toa que é o filme favorito do publico masculino. Seu Don Corleone entrou para a história.

O Último Tango em Paris (The Last Tango in Paris, 72) - Está ainda melhor no ultimo filme e trabalho pessoal neste clássico de Bertolucci.



Apocalipse Now de Coppola (79) - Por apenas alguns minutos na tela, ao final, justifica o filme.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O ESTADO DA GUANABARA

AEROFOTO DO FOTÓGRAFO DA REVISTA MANCHETE, CARLOS BOTELHO, PUBLICADA TAMBÉM NA ENCICLOPÉDIA DOS MUNICÍPIOS BRASILEIROS DO IBGE. A FOTO DATA DE 1956, QUANDO A NOVA CAPITAL, BRASÍLIA, COMEÇOU A SER CONSTRUÍDA, TRANSFORMANDO DEPOIS O ANTIGO DISTRITO FEDERAL NA GUANABARA.

Do portal WikipediaA Guanabara foi um estado do Brasil de 1960 a 1975, no território do atual município do Rio de Janeiro. A palavra guanabara tem sua origem no tupi guarani guaná-pará, e significa "o seio-mar".

HISTÓRIA

Em 1834, a cidade do Rio de Janeiro foi transformada no Município Neutro da Corte, permanecendo como capital do Império do Brasil, enquanto que Niterói passou a ser a capital da província do Rio de Janeiro. Em 1889, a cidade transformou-se em capital da República, o município neutro em distrito federal e a província em estado. Com a mudança da capital para Brasília, em 21 de abril de 1960, a cidade do Rio de Janeiro tornou-se o estado da Guanabara, de acordo com as disposições transitórias da Cons…

MORREU A ATRIZ E BAILARINA HELOÍSA MILLET

Faleceu na última sexta-feira, no Rio de Janeiro, a atriz e bailarina carioca Heloísa Millet, aos 64 anos de idade, vítima de câncer. Tendo sido conhecida pelo seu trabalho de bailarina na abertura do programa Fantástico, da Rede Globo, em 1974, ela depois foi levada pelo diretor de teatro Zbigniew Ziembinsky para seguir carreira de atriz.

Ao saber do sucesso como bailarina da abertura do programa, Heloísa teve a impressão que relatou numa entrevista de 1994: “Sou pequena, baixa, e quando fiz aquela abertura, virei um mulherão de dois metros de altura. Então, acabaram-se os meus complexos".

Depois, ela fez uma personagem, Betina, na novela Estúpido Cupido, em 1976, e a esse trabalho seguiram-se outros nas novelas Espelho Mágico (1977), Te Contei? (1978), Feijão Maravilha (1979), Marrom-glacê (1979) e Elas por Elas (1982), todas na Globo.

Heloísa também participou da minissérie Terras do Sem Fim (1981) e no elenco do humorístico Estúdio A...Gildo (1982), comandado por Agildo Rib…

TV EXCELSIOR

TV Excelsior - A Criadora do Padrão Globo de Qualidade

Edson Rodrigues - Retro TV

Dez anos de criatividade que resultaram no desenvolvimento da televisão brasileira. Assim podemos definir a trajetória da TV Excelsior, Canal 9 de São Paulo. Mas, como tudo começou? E como tudo acabou?

O Início

Estamos em 1959 e a Organização Victor Costa - que já possuía a TV Paulista Canal 5 - ganha um novo canal de televisão. Naquela época era comum um mesmo dono ter mais de uma emissora. Antes mesmo de inaugurá-la, Mário Wallace Simonsen manifesta interesse em comprar os direitos sobre o novo canal. A família Simonsen era poderosa, possuía mais de 40 empresas (uma delas a aérea Panair) e estavam ansiosos por colocar no ar a TV Excelsior (nome este que veio da emissora de rádio, hoje a conhecida CBN). Os valores da venda são desencontrados, mas é sabido que a cifra foi a mais alta até então registrada.

A emissora instalou-se nos dois últimos andares de um prédio localizado na esquina da Avenida Paulista co…

WALDIR PIRES MORRE AOS 91 ANOS EM SALVADOR

COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Mais um dos personagens em evidência na virada dos anos 1950-1960 - depois de Agildo Ribeiro, Alberto Dines e Maria Ester Bueno - nos deixa. O político baiano Waldir Pires, ultimamente filiado ao Partido dos Trabalhadores, tendo sido, em 2006 e 2007, ministro da Defesa do governo Lula, faleceu aos 91 anos devido a grave pneumonia.

Ele foi více-líder do governo Juscelino Kubitschek na Câmara dos Deputados, foi Coordenador dos Cursos Jurídicos na Universidade de Brasília (1963) e foi Consultor-Geral da República do governo João Goulart no final de seu governo, e partiu para o exílio depois de ter o mandato de deputado federal cassado pelo regime militar instalado em 1964.

Era uma das figuras progressistas do cenário político baiano, e em sua carreira, passou por vários partidos políticos: o antigo PSD de Juscelino, Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Ernâni do Amaral Peixoto, o MDB, o PMDB e, finalmente, o PT.

Waldir Pires morre aos 91 anos em Salvador

Do Jornal …

30 ANOS SEM KAREN CARPENTER

COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: A cantora da dupla de irmãos Carpenters, a belíssima Karen Carpenter, faleceu no dia 04 de fevereiro de 1983. Talvez esta postagem pareça tardia, mas há exatos 30 anos a notícia do falecimento da cantora já estava espalhada pelos quatro cantos e repercutia mundialmente, causando tristeza profunda em todos os seus fãs.

Os Carpenters podem não ter sido musicalmente excepcionais, mas eram bastante talentosos, pelo talento de pianista de Richard Carpenter e da bela voz de Karen, que por sinal tinha uma beleza sexy que ela mesma não pôde prestar atenção, tão preocupada em se tornar magra que a fez vítima de anorexia nervosa. Pena, porque Karen era linda e desejadíssima mesmo "cheinha" e, se viva estivesse, continuaria belíssima, apenas adaptando suas feições para os 63 anos que poderia completar no próximo dia 02 de março.

Algumas curiosidades notáveis dos Carpenter: os irmãos chegaram a gravar cover da banda progressiva Klaatu e Karen era eventual bater…

PRIMEIRA TRANSMISSÃO DE TV A CORES NO BRASIL FAZ 40 ANOS

Por Alexandre Figueiredo

Hoje faz 40 anos em que se realizou a primeira transmissão televisiva a cores, a partir da TV Difusora de Porto Alegre (hoje TV Bandeirantes local) e a TV Rio (Guanabara, atual TV Record Rio). A TV Globo, do Rio de Janeiro, também participou da façanha.

O evento escolhido foi o desfile tradicional da Festa da Uva, na cidade gaúcha de Caxias do Sul. A foto em questão, aliás, mostra um ônibus "bicudinho" da Mercedes-Benz, provavelmente O-326, que a TV Rio enviou para o Sul do país.

Era tempos do "milagre brasileiro" da ditadura militar e prefeitos com algum senso de oportunismo instalaram aparelhos de TV pelas ruas da cidade para que a população visse a novidade. Aliás, foi assim que Assis Chateaubriand fez para atrair a multidão para a então recém-inaugurada televisão, em vários pontos-chave da cidade de São Paulo, em 18 de setembro de 1950. Em ambos os casos, eventuais falhas técnicas ocorreram.



Mas quem imaginasse que a televisão a cores era u…

RÁDIO CIDADE ENCERROU HISTÓRIA ANTES DOS 40 ANOS. MELHOR ASSIM

Por Alexandre Figueiredo

Seria patético uma rádio comemorar 40 anos de existência com uma trajetória totalmente diversa da original. Se o contexto permitisse, tudo bem, mas soaria ridículo que a Rádio Cidade tivesse que comemorar 40 anos como se fossem os 35 anos da Fluminense FM, algo bastante surreal que, certamente, daria um filme de Luís Buñuel.

A Rádio Cidade, que anunciou sua saída do dial para o próximo dia 31 de julho de 2016, na verdade morreu faz muito tempo. Morreu quando o Sistema Jornal do Brasil sentiu ressentimento de não ter largado na frente de uma rádio autenticamente rock, a Fluminense FM, do Grupo Fluminense de Comunicação.

A Fluminense FM, a "Maldita", bem antes da Internet e do YouTube, tinha uma locução sóbria, que não falava em cima das músicas, e seu repertório, mesmo na programação normal, fugia da mesmice do hit-parade, tocando bandas e artistas até hoje pouco conhecidos.

De Gentle Giant a Teardrop Explodes, nenhuma emissora de rádio roqueira teve…

CASOS HARVEY WEINSTEIN E ROSEANNE BARR APONTAM FRAGILIDADE DA GERAÇÃO "W"

Por Alexandre Figueiredo

Não se fazem mais pessoas mais velhas do que antigamente. A geração nascida a partir de 1950, que se aproxima dos 70 anos, e que vai até 1974, com pessoas a caminho dos 45 ou 50 anos, se envolve cada vez mais em incidentes polêmicos, que vão desde escândalos de assédio sexual e comentários racistas até em postagens que dizem o que não devem e são imediatamente apagadas, não sem repercutir nas redes sociais e ser reproduzida a tempo de aparecer na imprensa no mundo inteiro.

Os casos de Harvey Weinstein, produtor de Hollywood acusado de assédio sexual e até de estupro por um considerável número de atrizes de Hollywood, e de Roseanne Barr, atriz e produtora que havia criado e protagonizado uma sitcom de grande sucesso, intitulada Roseanne, que havia encerrado há tempos e ganhou uma nova temporada recentemente.

Weinstein, um dos fundadores da Miramax Films e, depois, fundou a Weinstein Company com seu irmão Bob, era um dos mais prestigiados produtores executivos …

RAUL SEIXAS

Hoje seria a data de aniversário dos 65 anos do cantor Raul Seixas, um dos maiores nomes do Rock Brasil e um dos mestres, ainda que controversos, da Música Popular Brasileira.

Em 21 de agosto de 1989, ele faleceu de problemas causados pela diabetes. Raul havia retomado a carreira, junto ao conterrâneo Marcelo Nova, e os dois chegaram até a se apresentarem no estreante Domingão do Faustão, quando o programa, ainda sofrendo os ranços do Perdidos da Noite, ainda não era considerado o templo da música brega-popularesca do país.

Raul era uma figura controversa e, em vida, era esnobado e discriminado pela mídia. Tanto que deixou, na primeira oportunidade, a provinciana Salvador, sua terra natal, para viver até o fim da vida em São Paulo. Portanto, Raul tornou-se um paulistano naturalizado.

Raul teve a sorte, num Brasil atrasado quanto à modernidade internacional e numa Salvador mais atrasada ainda, de ter tido como amigo de infância um filho de diplomata. Isso fez Raul acertar o relógio com o …

CASOS DE LULA E DILMA ACABAM DANDO AULA PRÁTICA DA CRISE DA ERA JANGO

Por Alexandre Figueiredo

As pessoas mais jovens têm a oportunidade de relembrar fatos históricos do passado, relacionando a crise política de hoje com a crise que seus pais e avós viveram há 52 anos. A crise política do segundo semestre de 1963 até o primeiro de 1964, que culminou no golpe militar que instaurou uma ditadura de 21 anos, encontra eco na crise atual do governo da presidenta Dilma Rousseff.

A crise atinge o ciclo político do Partido dos Trabalhadores, que se ascendeu no poder em 2003, levando ao cenário político personalidades que combatiam o regime militar: o então presidente da República Luís Inácio Lula da Silva, por exemplo, foi um operário do ABC paulista que se ascendeu durante a crise do "milagre brasileiro" da ditadura militar, por volta de 1974.

Junto a ele, se ascendeu também o antigo líder estudantil José Dirceu, que havia sido preso quando, presidente da União Nacional dos Estudantes em 1968, foi surpreendido por uma ação policial em Ibiúna, interio…