terça-feira, 23 de março de 2010

MASSCARE DE SHARPEVILLE FAZ 50 ANOS



Há 50 anos, uma tragédia na Africa do Sul influiu numa série de manifestações de revolta dos negros contra o sistema de discriminação racial no país, denominado apartheid.

Cerca de 20 mil pessoas estavam protestando em Sharpeville, indignadas contra a exigência de um passe, uma espécie de "cracha" que os negros tinham que usar para entrar nos bairros resididos por brancos. Caso um negro não mostrasse esse documento para a polícia, simplesmente seria preso. Era totalmente ridículo, mas o governo racista da época impunha essa barbaridade, a proibição do direito de ir e vir dos negros e de sua natural integração social com os brancos.

Pois a manifestação, justa e pacífica, foi reprimida por policiais armados que atiraram contra os manifestantes, matando 69 pessoas e ferindo 180. O triste episódio, ocorrido em 21 de março de 1960, foi conhecido como o massacre de Sharpeville, e provocou imensos protestos dos negros, numa reação dura contra o apartheid sul-africano, que continuou resistindo até 1990, quando o advogado militante Nelson Mandela saiu da cadeia depois de 27 anos, se preparando para, quatro anos depois, assumir a presidência do país.

O país que sediará a Copa do Mundo passou a viver um clima de profundas tensões sociais, num conflito entre o povo negro e o Estado racista, mostrando o quanto o governo autoritário do apartheid, que só beneficiava poucos (os brancos), era opressivo, cruel e anti-democrático.

No mesmo ano de 1960, vários países africanos tornaram-se independentes, mostrando ao mundo a importância de um continente que é a África, com seus diversos países, e seus diversos povos negros, porque a variedade étnica e cultural deles é enorme. Algo que os colonizadores europeus do início do século XX não sabiam, muito menos os comerciantes de escravos de séculos antes.

Os negros foram muito atuantes na Contracultura. Sua mobilização social é bem anterior a 1968, e muitos episódios de protesto contra o racismo aconteceram em vários países. Nos EUA, um grupo de estudantes negros, em 1961, simplesmente permaneceu sentado nas suas cadeiras num restaurante, depois que foram recusados a serem atendidos pelos funcionários brancos. Eram os sit ins, protestos pacíficos de gente sentada, que viraram moda entre os jovens de 1968.

A repercussão negativa do massacre de Sharpeville fez com que a Organização das Nações Unidas (ONU) instituísse 21 de março como Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial. Na África do Sul, a mesma data tornou-se o Dia Nacional da Defesa dos Direitos Humanos.

Felizmente, hoje, muita coisa se superou. Felizmente negros, brancos, orientais, judeus e outras raças e etnias podem conviver livremente, na maior parte dos países do mundo. Mas as lutas sociais sempre encontram novos desafios, e hoje, quando a direita, em vários âmbitos da vida social, estabelece projetos, paradigmas e procedimentos que visam o privilégio de poucos contra as necessidades fundamentais de muitos, a luta dos negros, mesmo com muitas vitórias, enfrenta novas questões e novos problemas.

Os movimentos sociais, sejam especificamente negros ou não, pelo menos, estão atentos a essas questões, problemas e desafios. A luta continua.

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