quinta-feira, 4 de março de 2010

JOHNNY ALF, 1929-2010


Músico, considerado um dos precursores da bossa nova, sofria de câncer de próstata; empresário diz que há disco inédito

COMENTÁRIO DESTE BLOG: De influência jazzística mas com estado de espírito bem carioca, Johnny Alf antecipou, no começo dos anos 50, a linguagem musical da Bossa Nova que outros músicos, outros "pais da bossa", trabalharam à sua maneira. Johnny é considerado um desses "pais", mas, polêmicas à parte, sua contribuição musical para o gênero é inestimável, trabalho de um genuíno mestre de nossa música, apesar da discografia relativamente pequena.

Da Revista Rolling Stone

Johnny Alf, considerado um dos precursores da bossa nova, morreu nesta quinta-feira, 4, no Hospital Mário Covas, na cidade de Santo André (São Paulo). O cantor, compositor e pianista sofria de câncer de próstata, e tratava a doença há três anos.

Recluso, Alf não tinha parentes. O velório deve acontecer nesta sexta, 5, na Assembleia Legislativa de São Paulo.

Músico admirado

"O cara tinha letras e harmonias absolutamente inéditas na música brasileira, e é por isso que Cesar Camargo Mariano, Roberto Menescal, Luiz Eça e Carlos Lyra, garotos que mal podiam entrar no lugar, iam ao Beco das Garrafas só para vê-lo", afirmou Luís Carlos Miéle sobre Johnny, em texto publicado na edição de janeiro da Rolling Stone Brasil.

Para o produtor, que foi mestre de cerimônias do show Genialf, feito por Filó Machado e Cibele Codonho em homenagem ao músico, em dezembro de 2009, Johnny tinha talento de sobra - mas faltava apelo de marketing. Seria esse um dos motivos que levaram Johnny a ser pouco lembrado, em comparação a contemporâneos da bossa nova, como Tom Jobim.

Johnny nasceu Alfredo José da Silva, no dia 19 de maio de 1929. Prodígio, começou a aprender piano aos 9 anos de idade. Formou seu primeiro conjunto musical aos 14. Daí em diante, Johnny seguiu na música, ganhando destaque com suas composições. Uma delas, "Rapaz de Bem", de 1953, foi considerada o pontapé para a bossa.

Apesar da produção escassa nos últimos anos, é possível que o público venha a conferir material inédito em breve: de acordo com Nelson Valencia, que vinha trabalhando como empresário do cantor desde o início da década de 90, há um disco gravado em Nova York há cerca de dez anos, nunca lançado.

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BIOGRAFIA

Do Portal Terra Diversão

Alfredo José da Silva, famoso como Johnny Alf, nasceu no Rio de Janeiro em 19 de Maio de 1929. Começou a aprender piano clássico aos nove anos com Geni Borges, amiga de sua família, e logo demonstrou interesse por compositores americanos, como George Gershwin e Cole Porter.

Aos 14 anos, formou um conjunto com amigos no bairro de Vila Isabel e costumava tocar nos fins de semana na Praça Sete, do Andaraí. Cursou até o segundo ano do ensino médio no Colégio Pedro II, onde entrou em contato com algumas pessoas que faziam parte do Instituto Brasil-Estados Unidos, que posteriormente o convidaram para participar de um grupo artístico. Por sugestão de uma amiga americana, adotou o pseudônimo de Johnny Alf. Com o grupo do Instituto Brasil-Estados Unidos fundou um clube para promoção e intercâmbio de música brasileira e americana.

Quando Dick Farney ingressou no grupo em 1949, o clube passou a se chamar Sinatra-Farney Fan Club, tendo entre seus sócios Tom Jobim, Nora Ney e Luís Bonfá, entre outros. Na época, Alf tocava durante a noite no clube e pela manhã assumia seu posto de cabo no Exército. Através de Dick Farney e Nora Ney, Johnny foi contratado em 1952 como pianista da recém-inaugurada Cantina do César. Ali a atriz Mary Gonçalves, que tinha sido Rainha do Rádio em 1952, escolheu três de suas composições, Estamos Sós, O Que é Amar e Escuta para incluir no seu LP Convite ao Romance.

Depois disso, Alf foi convidado para integrar como pianista o conjunto que o violonista Fafá Lemos formou para tocar na boate Monte Carlo. Nessa época, gravou seu primeiro disco com influências do jazz. De seu repertório, duas composições começaram a se destacar, Céu e Mar e Rapaz de Bem, esta escrita por volta de 1953 e considerada revolucionária e precursora da bossa nova.

Em 1961 gravou na RCA seu primeiro LP, Rapaz de Bem, que incluía, entre outras, Ilusão à Toa, que também se tornou um sucesso. Ainda em 1961, recebeu um convite do compositor Chico Feitosa para tocar no Carnegie Hall, em New York. No ano seguinte, retornou ao Rio de Janeiro e tocou no Bottle's Bar, na mesma época em que ali atuavam o Tamba Trio, Sérgio Mendes, Luís Carlos Vinhas e Silvia Teles.

Em 1967, participou do Festival da TV Record com a música Eu e a Brisa. A composição foi desclassificada nas eliminatórias, mas meses depois virou um grande sucesso. Em janeiro de 1998, depois de sete anos sem gravar, apresentou-se no SESC Pompéia, em São Paulo, no show de lançamento do álbum Noel Rosa - Letra e Música.

Confira a discografia do músico
1952 - Johnny Alf
1952 - Convite ao Romance - Mary Gonçalves
1954 - Johnny Alf
1955 - Johnny Alf
1958 - Johnny Alf
1961 - Rapaz de bem
1964 - Diagonal
1965 - Johnny Alf - arranjos de José Briamonte
1968 - Johnny Alf e Sexteto Contraponto
1971 - Ele é Johnny Alf
1972 - Johnny Alf - compacto duplo
1974 - Nós
1978 - Desbunde total
1986 - Johnny Alf - Eu e a brisa
1988 - O que é amar
1990 - Olhos Negros - paticipação Gilberto Gil, Chico Buarque, Caetano Veloso, Roberto Menescal, Leny Andrade e outros
1997 - Johnny Alf e Leandro Braga - Letra e música Noel Rosa
1998 - Cult Alf - Johnny Alf - gravado ao vivo
1999 - As set 1999 - As sete palavras de Cristo na Cruz - Dom Pedro Casaldáliga
2001 - Johnny Alf - Eu e a Bossa - 40 anos de Bossa Nova

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