terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

O ESTADO DA GUANABARA


AEROFOTO DO FOTÓGRAFO DA REVISTA MANCHETE, CARLOS BOTELHO, PUBLICADA TAMBÉM NA ENCICLOPÉDIA DOS MUNICÍPIOS BRASILEIROS DO IBGE. A FOTO DATA DE 1956, QUANDO A NOVA CAPITAL, BRASÍLIA, COMEÇOU A SER CONSTRUÍDA, TRANSFORMANDO DEPOIS O ANTIGO DISTRITO FEDERAL NA GUANABARA.

Do portal Wikipedia A Guanabara foi um estado do Brasil de 1960 a 1975, no território do atual município do Rio de Janeiro. A palavra guanabara tem sua origem no tupi guarani guaná-pará, e significa "o seio-mar".

HISTÓRIA


Em 1834, a cidade do Rio de Janeiro foi transformada no Município Neutro da Corte, permanecendo como capital do Império do Brasil, enquanto que Niterói passou a ser a capital da província do Rio de Janeiro. Em 1889, a cidade transformou-se em capital da República, o município neutro em distrito federal e a província em estado. Com a mudança da capital para Brasília, em 21 de abril de 1960, a cidade do Rio de Janeiro tornou-se o estado da Guanabara, de acordo com as disposições transitórias da Constituição de 1946 e com a Lei nº 3.752, de 14 de abril de 1960 (Lei San Tiago Dantas).


Com o término da Era Vargas(onde a então capital Rio de Janeiro há momentos antes havia sido testemunha ocular do suícidio do chefe de estado brasileiro) e o vislumbrar de uma nova fase política com o presidente Juscelino Kubitschek, iniciada em 1955, patrocinando a ocupação do interior do Brasil, que na prática eliminava o cenário político brasileiro das pressões sócio-políticas das grandes cidades e de setores políticos influentes, a construção de Brasília representava um baque nos interesses em jogo da elite carioca, pois minimizava o seu tranquilo status de centro das decisões políticas do país.


BANDEIRA DO ESTADO DA GUANABARA

Diante desta ameaça, com intensa mobilização entre os grupos políticos cariocas, ainda indecisa com os rumos que a cidade tomaria, opta-se pela criação da cidade-estado guanabarina, com o Estado do Rio de Janeiro que dá nome a capital, nas vizinhanças do jovem estado. Para alguns estudiosos, entretanto, o principal problema político não foi solucionado: a perda do poder político e econômico que os fluminenses possuíam até a Proclamação da República brasileira, avizinhando-se um possível "esvaziamento" da cidade do Rio no mesmo sentido.

A Guanabara foi o único caso no Brasil de uma cidade-estado. Em plebiscito realizado 21 de abril de 1963, a população decidiu pela existência de apenas um município na unidade federada.


O primeiro governador, José Sette Câmara Filho foi nomeado pelo presidente da República e exerceu o cargo até 5 de dezembro de 1960, quando o passou para o primeiro governador eleito, Carlos Lacerda, que exerceu o cargo por cinco anos.


O Governo Lacerda dinamizou mudanças radicais na cidade, ao promover a remoção de favelas para outras regiões (e a consequente criação da Vila Kennedy e da Cidade de Deus), a construção da adutora do Rio Guandu para o abastecimento de água à cidade, e implementou uma série de modificações paisagísticas. Dentre as principais obras realizadas na cidade nesse período, destacam-se a abertura do Túnel Rebouças, o alargamento da praia de Copacabana, e a construção da maior parte do Aterro do Flamengo, sobre o qual foi formada a mais extensa e completa área de lazer da cidade, o Parque do Flamengo, hoje denominado oficialmente de Parque Brigadeiro Eduardo Gomes, situado junto à orla da Baía de Guanabara, com 121,9 hectares e que se estende desde o Aeroporto Santos Dumont até o Morro da Viúva, em Botafogo.


Nesse período também foi organizada a Companhia Estadual de Telefones - CETEL, cuja missão foi a de instalar serviço de telefones automáticos nos afastados subúrbios, como Irajá, Bento Ribeiro, Bangu, Campo Grande e Santa Cruz, na baixada de Jacarepaguá e na Barra da Tijuca, assim como na Ilha do Governador e na ilha de Paquetá. Anos mais tarde a companhia estadual foi incorporada ao sistema telefônico fluminense que, através da TELERJ, passou a atender o restante do estado após a fusão.


A pedido de Lacerda foi efetuada a elaboração do Plano Doxiadis, conjunto de projetos ligados a área urbanística. A Linha Vermelha e a Linha Amarela foram desengavetadas e concretizadas na década de 1990 baseadas no plano.


Os outros governadores eleitos para exercer a chefia do Poder Executivo da Guanabara foram Francisco Negrão de Lima (de 1965 a 1970) e Antônio de Pádua Chagas Freitas (1970 a 1975), em cujo governo foi construído o emissário submarino de esgotos de Ipanema.


Pela Lei Complementar nº20, de 1 de julho de 1974, durante a presidência do general Ernesto Geisel, decidiu-se realizar a fusão dos estados da Guanabara e do Rio de Janeiro, a partir de 15 de março de 1975, mantendo a denominação de estado do Rio de Janeiro, voltando-se à situação territorial de antes da criação do município neutro, com a cidade do Rio também voltando a ser a capital fluminense.


A fusão causou grande polêmica entre os cariocas e fluminenses à época, haja vista não ter havido consulta popular nos estados que se fundiam. Apesar disso, vantagens de ordem econômica foram geradas na nova capital, sendo o município do Rio de Janeiro, atualmente, a sede de muitos negócios e empreendimentos do restante do estado.


MOVIMENTOS CONTRÁRIOS


Em 2004, às vésperas do aniversário de 30 anos da fusão, o político Alfredo Sirkis lançou um movimento pela recriação do estado da Guanabara, o "Autonomia Carioca", por considerar que a fusão dos dois estados foi prejudicial à cidade do Rio de Janeiro. O movimento propunha a realização de um referendo para decidir o tema.


Em seu sítio na internet, foram recolhidas 2.473 assinaturas (até janeiro de 2007) e o movimento naufragou devido à precipitação em incluir a consulta no referendo sobre a proibição da comercialização de armas de fogo e munições, idéia que acabou descartada, e pela mudança de posição do prefeito Cesar Maia, que, a princípio a favor da separação, posteriormente criticou o movimento.


Um dos fatores que também ajudaram foi o fato de a idéia, nos dias de hoje, ser extremamente impopular entre as camadas menos abastadas da população (o que fez à oposição a este movimento o tachar de "elitista") tanto da cidade quanto do estado do Rio, devido ao aumento dos encargos e o atual nível de integração urbana alcançado de em ambos, principalmente com a Baixada Fluminense.


COMENTÁRIO DESTE BLOG: A arbitrária fusão dos Estados da Guanabara e Rio de Janeiro acabou por sobrecarregar o município do Rio de Janeiro que, como sede de governo estadual, tem que efetivar investimentos em municípios vizinhos, complicando a sua própria dedicação. Além disso, a cidade de Niterói, antiga capital do Estado do Rio de Janeiro, enfraqueceu-se politicamente e perdeu parte do glamour que tinha como cidade ao mesmo tempo provinciana e moderna.

Um comentário:

  1. o alargamento da praia de Copacabana não foi realizado no governo Lacerda i sim no governo Negrão de Lima. Iniciou-se em 1968 e terminou em 1970.
    Armando Abreu

    ResponderExcluir

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.