REVISTA CAPRICHO JÁ FOI PARA JOVENS ADULTAS



Hoje a famosa publicação da Editora Abril, a revista Capricho, é uma revista para o público adolescente feminino. Desde a década de 80 segue essa orientação, divulgando para o público brasileiro os ídolos teen que fazem sucesso nos EUA, principalmente os ídolos pop em geral.

Mas a origem da Capricho era completamente diferente do seu perfil atual. A revista foi lançada no dia 18 de junho de 1952 - curiosamente, mesma data do nascimento de Isabella Rossellini, atriz e modelo, símbolo da beleza que herdou da mãe, atriz Ingrid Bergman, e passa também para a filha, Eletra - e, a princípio, era quinzenal. Foi a primeira revista que a Abril lançou dedicada ao público feminino. Em novembro, a revista passou a ser mensal, por decisão do proprietário da Abril, Victor Civita, e esta periodicidade vale até hoje, apesar de eventuais períodos em que a revista era publicada quinzenalmente.

A revista misturava dicas para o dia-a-dia feminino, além de reportagens sobre questões sociais que interessavam ao público feminino adulto. Mas seus destaques, desde o início desta fase, eram as fotonovelas, ou "cine-novelas", de início traduções de historietas produzidas na Itália, mas depois seriam criadas histórias próprias no Brasil, incluindo atores famosos que posavam para as fotos que ilustravam estas histórias. As fotonovelas eram uma espécie de histórias em quadrinhos com fotos reais, num cruzamento da linguagem quadrinista com a do cinema ou televisão. Os temas eram mais amenos possíveis, geralmente envolvendo romances. Havia também na revista espaço para contos, sessões de moda, dicas sobre comportamento e beleza.

Em 1956, a revista rompe a barreira dos quinhentos mil exemplares vendidos, um índice considerado na época como o maior da América Latina. Pouco depois, a revista priorizaria as reportagens, contos e dicas sobre comportamento, beleza e utilidades, deixando as fotonovelas nos encartes anexos às edições. Em 1959 a Abril lança outra revista para o público feminino, a Manequim, e em 1961 é a vez de Cláudia. Ambas também continuam até hoje em circulação, mantendo o perfil de público original.

Em 1970, a revista se transforma, se adaptando às conquistas do movimento feminista, que revelaram um perfil de mulher menos submisso e menos relacionado à dona-de-casa dedicada apenas ao marido e aos filhos.

A partir de 1984, a Capricho muda sua linha editorial, voltando-se para as adolescentes. Cláudia e Manequim continuavam segurando o público feminino adulto. A Capricho ganhou o lema "A Revista da Gatinha", e toda sua linha editorial - exceto as fotonovelas, que saíram de moda - foi adaptada para o universo adolescente. Em outubro de 1989, a tendência adolescente foi definitivamente firmada pela Editora para a revista.

A versão Internet da revista Capricho é considerado o maior portal do mundo dedicado ao público adolescente, superando até mesmo o americano Seventeen.

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