ELVIS PRESLEY


Como escrever um texto curto sobre Elvis Presley... Afinal, a vida dele, embora tenha sido breve - foram apenas 42 anos de vida - , rende não somente um livro enorme como também vários livros, como muitos que foram escritos a respeito dele. Obras desiguais, desde biografias impecáveis até amontoados de fofocas sensacionalistas que em nada beneficiam na lembrança do ídolo.

Este blog, sendo introdutório, fará o possível para dar uma noção básica de quem foi Elvis Presley, apesar dele ser mundialmente conhecido, um dos maiores ídolos da música jovem do mundo inteiro e cuja carreira passou pelas décadas de 50, 60 e 70, portanto encaixando bem no nosso propósito. Mas, pasmem vocês, Elvis quase foi condenado ao esquecimento, como veremos ainda neste texto.

Elvis Aaron Presley nasceu em 08 de janeiro de 1935. Foi o sobrevivente de uma dupla de gêmeos, já que o irmão Jesse não resistiu ainda na sua gestação. Na sua educação familiar, aprendeu a respeitar todas as pessoas, independente de raça, o que influiu nas suas referências musicais, que variavam entre os spirituals, a voz operística de Mario Lanza e o blues.

Sua carreira começou acidentalmente. Ele era um jovem caminhoneiro de 20 anos de idade. Elvis apenas foi gravar um compacto para dar de presente para sua mãe, quando o técnico de gravação se surpreendeu tanto com o talento vocal do jovem quanto pela impecável expressividade no modo de cantar. Havia feito outras gravações experimentais desde 1953, mas nesta, através da música "That's All Right, Mama", o empresário Sam Philips, da Sun Records, ao ser avisado pelo técnico de gravação e ter conferido o talento do cantor, se entusiasmou e chamou Elvis para assinar um contrato com a gravadora.

1954 e 1955 foram os anos em que Bill Haley & His Comets haviam lançado o rock'n'roll ao sucesso estrondoso e trabalhavam, além de "Rock Around The Clock", o primeiro sucesso, outros hits. Mas depois disso o jovem Elvis Presley somou ao estilo uma nova performance, favorecida pela aparência de galã do cantor e pela sua voz potente e sensual. Tão logo começou a fazer sucesso, desenvolvendo um carisma peculiar, além de uma dança que hoje soa bastante comportada, mas que assustava os moralistas da época.

Só um parêntesis: que não pensem os adeptos do "pagodão" pós-Tchan ou do "funk carioca" que seus rebolados venham a ter, no futuro, a respeitabilidade da dança de Elvis Presley. Primeiro, porque Elvis não colocava o rebolado acima da música (que tinha sua qualidade). Segundo, porque não dá para comparar a dança de Elvis, que não era erotismo gratuito, com a grosseria explícita de pagodeiros baianos ou funqueiros cariocas. Estes investem na vulgaridade extrema e na idiotização cultural que só um etnocentrismo apologético, que vê o povo como "bons selvagens", pode aceitar.

Logo em 1955, Elvis conhece um estrangeiro que usava o pseudônimo de Tom Parker e um título de "coronel" concedido de forma honorária por um governador do Estado de Louisiana. Mas Parker era na verdade Andreas Cornelius van Kuijk, um holandês foragido e de personalidade misteriosa e controversa, que havia trabalhado em um circo na época em que seu mais famoso cliente nasceu.

Pois esse cliente é mesmo Elvis, e conta a história que as relações profissionais de Tom Parker com Elvis não renderam uma grande amizade e Elvis, com o tempo, seria prejudicado pelas pressões empresariais de Parker.

Mas em 1955 Elvis estava começando seu sucesso e ele sai da Sun para gravar seus discos na RCA Records (hoje Sony Music). É dessa época sua melhor fase, pois, juntando o período 1953-1955 ao de 1956-1959 (com ainda bons momentos até cerca de 1961), Elvis desenvolve um repertório musical de canções de rock, canções românticas e blues, de primeira. Sucessos como "Jailhouse Rock", "Blue Suede Shoes", "Love Me Tender" e "It's Now Or Never" (esta calcada na canção italiana "O Sole Mio" popularizada por Mario Lanza), são uma boa amostra do talento de Elvis, que já se relacionava amistosamente com outros cantores de rock na época, como Carl Perkins (que compôs "Blue Suede Shoes") e Roy Orbison, que ensinou acordes de violão a Elvis. Em 1961, com "Marie's the Name (His Latest Flame)", Elvis ainda mostrava pronto para gravar grandes canções.

Na década de 60, a decadência de Elvis não se dá exatamente pela queda de talento, mas pelas pressões do estrelato que obrigava o cantor a sair da linha original, priorizando baladas românticas. A repercussão do serviço militar, entre 1958 e 1960, fez com que Elvis Presley, para vários de seus fãs, decepcionasse com sua imagem serviçal ao Exército americano, coisa que contrastava com o símbolo de rebeldia que ele antes era associado.

Mas foi a carreira cinematográfica, que começou bem, mostrando o talento de ator de Elvis, que reforçou uma imagem negativa do cantor para os fãs de rock. Diante de uma fase difícil para o rock'n'roll, entre 1958 e 1963, a presença de seu ídolo maior em filmes tematicamente inexpressivos desgastaria em parte seu carisma, abalado também quando a renovação do rock se efetivaria não através de ídolos estadunidenses, mas de uma então impensável cena musical de um país europeu então relativamente provinciano no aspecto musical, a Grã-bretanha, sobretudo a Inglaterra.

Pois a Inglaterra, através dos Beatles (banda surgida na cidade de Liverpool, conhecida pela indústria têxtil), comandou a renovação do rock que fez com que o mito de Elvis Presley fosse deixado de lado. Elvis passaria a ser associado às canções românticas e aos compromissos intensos determinados pelo Coronel Tom Parker. Mas, nessa fase, Elvis Presley se aproxima da soul music, aspecto pouco comentado sobre sua trajetória, a exemplo de Roberto Carlos na fase 1969-1974, também influenciado na soul music, fazendo jus ao aposto comparativo de "Elvis brasileiro".

Em Junho de 1968, Elvis Presley gravou um especial pela rede de televisão NBC. A essas alturas ele havia se casado com Priscila Beaulieu, em 1967, relação que resultou na única filha, Lisa-Marie Presley (que chegou a se casar com Michael Jackson nos anos 90 e hoje eventualmente ela segue carreira de cantora). O especial renovou o carisma de Elvis, não mais como o maior nome do rock, diante de uma porção de bandas e músicos inovadores - nessa época, por exemplo, o mulato Jimi Hendrix redefiniu os conceitos de como tocar guitarra - , mas como um cantor de grande voz e com excelente presença de palco. O especial foi marcado por Elvis num palco - que parecia um ringue de boxe sem as cordas de isolamento - , vestindo casaco e calça de couro, com a orquestra da NBC acompanhando oculta e o próprio Elvis eventualmente tocando violão.

Elvis, no entanto, não recuperou sua fase difícil, apesar desse momento único, porque sua forma física se alterou devido à ingestão de remédios para manter o pique dos compromissos profissionais intensos. O mesmo problema que havia matado Carmem Miranda em 1955. Vestindo um macacão branco e usando costeletas, Elvis, reduzido a um crooner romântico pelas pressões comerciais de Tom Parker, passaria a década de 70 explorado pelo sensacionalismo jornalístico e em eventos considerados conservadores, como apresentações em Las Vegas e uma recepção pelo então presidente americano Richard Nixon (pouco depois afastado do poder por corrupção), enquanto o consumo de remédios estimulantes trazia problemas para o cantor. O último deles, a morte de Elvis Presley, em 16 de agosto de 1977.

Como um grande ídolo, a morte gerou um forte impacto nas multidões do mundo inteiro e muita polêmica. Afinal, enquanto uns se comoviam com a perda do grande ídolo, outras pessoas atribuíram a morte à decadência do cantor. A verdade é que as pressões do show business abalaram a vida de Elvis, e sua superexposição no sensacionalismo da imprensa "marrom" acabou por inspirar a exploração caricata de sua última aparência, gordo e vestindo um macacão branco.

Depois do falecimento de Elvis, vários livros, discos e eventos foram lançados para celebrar a memória do ídolo. Espetáculos de imitação de Elvis também eram promovidos em vários países do mundo. Nos anos 90, uma curiosidade é a breve existência do conjunto humorístico Dread Zeppelin que, baseado num lendário encontro entre a banda de rock inglesa Led Zeppelin e Elvis, tocava músicas do grupo com o vocal imitado do Rei do Rock, através de um cantor conhecido como Tortelvis.

Quando Elvis ameaçava cair no esquecimento pelas gerações recentes, um DJ realizou uma nova mixagem, com instrumental eletrônico, para um esquecido sucesso de 1969, "A Little Less Conversation", puxando a coletânea "Elvis" (2002), que reúne todos os sucessos do cantor e serve de guia para os iniciantes. Outros sucessos na roupagem eletrônica também vieram, como "Rubberneckin'" e "Marie's The Name (His Latest Flame".

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