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Mostrando postagens de Janeiro, 2010

ESCRITOR E CRÍTICO WILSON MARTINS MORRE AOS 88 ANOS

Da Agência Estado

O escritor e crítico literário Wilson Martins morreu ontem à noite, aos 88 anos, no Hospital Nossa Senhora das Graças, em Curitiba. Ele estava internado desde o dia 20 de janeiro e na última terça-feira passou por uma cirurgia para retirada da bexiga e da próstata por causa de um câncer.

De acordo com o médico Marcelo Bendhack, devido à idade avançada, Martins teve dificuldades cardiovasculares no pós-operatório e acabou não resistindo. Em novembro do ano passado, o escritor já havia sido submetido a uma operação devido ao tumor na bexiga. O corpo de Wilson Martins foi velado hoje na capela do Cemitério Luterano, em Curitiba, e será cremado.

Radicado em Curitiba nas últimas décadas, Martins nasceu em São Paulo em 3 de março de 1921. Foi juiz de direito, professor de língua e literatura francesa na Universidade Federal do Paraná, professor de literatura brasileira nos Estados Unidos, e crítico literário. No período em que viveu nos Estados Unidos, lecionou nas univer…

O PERCURSO DA TELEVISÃO E DO TELEJORNALISMO NOS ANOS 70

JORNAL NACIONAL - SURGIDO EM 1969, O TELEJORNAL DA REDE GLOBO FOI UM DOS SÍMBOLOS DA ASCENSÃO DA EMISSORA, PRINCIPALMENTE NA DÉCADA DE 70.

Por Antônio Reis Jr. - Do site Mnemocine.

No início dos anos 70, o campo cinematográfico foi marcado pela dispersão do grupo de cineastas integrantes do Cinema Novo. A repressão política pós Ato Institucional nº5 em 1968, a criação da Embrafilme em 1969, as novas demandas do mercado cultural e o acirramento dos debates estéticos, compuseram um novo quadro de atuação e contribuíram para o esfacelamento do Cinema Novo.

Neste contexto, marcado também pela expansão da indústria cultural e do consumo dos bens simbólicos no país, realizadores e críticos redefiniram os marcos estéticos e políticos do cinema brasileiro, rearticulando esquemas de produção e projetos culturais. Surgiram diferentes, e às vezes conflitantes opções estéticas, resultando em um amplo conjunto de filmes e tendências: o crescimento da comédia erótica (pornochanchada), o cinema margina…

"O APANHADOR NO CAMPO DE CENTEIO", O LIVRO QUE INVENTOU UMA GERAÇÃO

J. D. SALINGER (1919-2010), viveu o resto da vida recluso, depois do sucesso de seu famoso livro.

Por Marco Antônio Bart, do site Scream & Yell

O que faz com que um livro narrando acontecimentos quase banais, ocorridos com um adolescente que não tem nada de extraordinário, transforme-se na mais acurada e sensível crônica da juventude deste século? Só os espertos que chegaram a ler O Apanhador no Campo de Centeio, do escritor americano J.D. Salinger, é que podem dizer com certeza. Prestes a completar 47 anos de publicação - surgiu em 1951, antes mesmo dos pais da maioria de vocês nascerem - a novela de Salinger é não só uma das mais marcantes obras da literatura norte-americana contemporânea; é também um marco na longa estrada que os jovens trilharam (e ainda trilham) para provar que têm direito a uma voz e uma visão de mundo próprias.

É bastante possível que você nunca tenha lido O Apanhador. No entanto, se você tem um mínimo de "antenidade" com o mundo que o cerca, muito p…

MÍDIA GOLPISTA QUER EMPASTELAR A CULTURA BRASILEIRA

Mais uma vez advertimos aos críticos da mídia golpista que prestem atenção também às armadilhas que se montam relacionadas à cultura.

Ninguém está prestando atenção devidamente ao universo brega-popularesco, que é a arma que a mídia golpista usa para enfraquecer socialmente o povo brasileiro.

Lamentavelmente, até mesmo parte da mídia alternativa, por ingenuidade, ou parte da mídia que se opõe diretamente à mídia golpista, por questões de concorrência, acabam por defender o universo brega-popularesco, numa malo-disfarçada visão etnocêntrica de contemplação da cultura popular.

Há desde tablóides pseudo-esquerdistas como Piauí - que ainda tentou negar que os jornais policialescos Expresso e Meia-Hora são grotescos - até revistas "intelectuais" da mídia gorda, como Bravo, que fez um texto sobre o "funk carioca" que a intelligentzia burgo-marxista gostaria de escrever.

Há desde pessoas crédulas como a turma que faz eventos culturais cariocas (Fundição Progresso, Circo Voado…

O CARÁTER GOLPISTA DA MÚSICA BREGA

Enquanto os defensores da música brega e todos os seus derivados - não devemos nos esquecer que até a axé-music e o "funk carioca" (FAVELA BASS) são derivados da música brega - classificam esse universo como se fosse "a verdadeira rebelião popular da História do Brasil", a máscara cai quando vamos analisar a fundo o que realmente é a música brega, que durante tempos foi chamada apenas de música cafona.

A música cafona tem suas origens no interior do país. Seus artistas, evidentemente, precisavam de espaço de divulgação e de tutela para suas carreiras. Quem é que tutelava eles, pobres mendigos? Gente que não tinha dinheiro para criar um armazém e instalava serviços de auto-falantes, relativamente caros naqueles idos de 1958-1964?

Não, os primeiros ídolos bregas eram respaldados por empresários ligados ao poder econômico dessas cidades - os latifundiários - e a rádios que respaldavam esse mesmo poder dominante. Não é preciso ter a "paranóia" de uma Luciana Ge…

O SAMBA-SOUL VERSUS O SAMBÃO-JÓIA

Jorge Ben Jor (na época, apenas Jorge Ben - foto à esquerda) foi um dos precursores da fusão do samba com a música soul dos EUA, tendência que teve sua forma diluída para o brega, no caso representada por nomes como Benito Di Paula.

No começo da década de 60, enquanto os EUA viam o surgimento e o crescimento da música soul a partir de artistas lançados por gravadoras como Motown e Stax - hoje selos ligados a grandes companhias - , o Brasil via a redescoberta do samba, desde o final da década anterior.

A juventude moderna da época, mais precisamente 1961, começava a ouvir tanto soul quanto samba nos bailes noturnos, e novos talentos começavam a se tornar conhecidos, como Orlandivo, cantor da banda de Ed Lincoln, e Elza Soares.

Com isso, ao chegar 1963 um jovem cantor influenciado levemente pela Bossa Nova lançava seu primeiro LP. Era Jorge Ben, um jovem do bairro carioca da Tijuca, cujos amigos Erasmo Carlos e o capixaba Roberto Carlos já lançavam discos e eram ídolos musicais emergentes.

COLUNISMO SOCIAL - GENTE BOA E GENTE FINA

MANECO MÜLLER, NETO DO JORNALISTA LAURO MÜLLER, É CONSIDERADO O PAI DO COLUNISMO SOCIAL. JÁ FALECIDO, MANECO ASSINOU O PSEUDÔNIMO DE JACINTHO DE THORMES.

COMENTÁRIO DESTE BLOG - A ascensão das colunas sociais se deu na década de 50 do século passado, através de Jacinto de Thormes no Correio da Manhã, seguido de Imbrahim Sued em O Globo. Caraterizava-se em mostrar pessoas ricas que não eram conhecidas do grande público, além de celebridades que frequentam os eventos chiques. Depois dos anos 60, outros colunistas vieram, e na década de 90 uma revista totalmente dedicada ao colunismo social era lançada no Brasil, a Caras."Gente Boa", a recente seção diária de Joaquim Ferreira dos Santos no segundo caderno de O Globo, substitui, como bem se sabe, a "coluna social" que era tradicionalmente assinada por Hildegard Angel. O fato tem interesse ao mesmo tempo jornalístico e sociológico – representa, na verdade, uma virada na mitologia classista da imprensa brasileira.

Por Muni…

COMO A CONTRACULTURA DE 1968 FRACASSOU?

PROTESTO DE INTEGRANTES DA NEW LEFT EM CHICAGO, DURANTE A CONVENÇÃO DO PARTIDO DEMOCRATA, EM 1968. OS DETIDOS FORAM JULGADOS NO HOJE CONHECIDO HISTORICAMENTE COMO O "CHICAGO TRIAL".

1968 foi um ano trágico. Não foi um ano alegre. Não foi a síntese do sonho dos anos 60, mas o auge dele. O grande ponto positivo foi que nunca a sociedade se uniu com tanta intensidade para pedir uma grande mudança nos valores morais, políticos, culturais e outros, dando como superada a sociedade conservadora que até então se vivia.

Mas, apesar disso, todos os protestos acabaram fracassando, transformando não só 1968 como o final da década de 60 numa grande decepção. Mas a Contracultura gerou frutos que só cresceriam com o passar do tempo. No entanto, naquela época, as manifestações foram malogradas, de uma forma ou de outra. Até no Brasil. Juntando isso com o atentado da Família Manson, a violência de Altamont, ambas em 1969, e no falecimento de jovens roqueiros como Brian Jones, ainda em 1969, …

CONTRACULTURA

A CANTORA JANIS JOPLIN, DURANTE APRESENTAÇÃO NO FESTIVAL DE MONTEREY, EM 1967, NO AUGE DA CONTRACULTURA, QUE TEVE A CANTORA COMO UM DOS TALENTOS EMERGENTES.
Muita gente associa o movimento da Contracultura aos anos de 1968-1969, tradicionalmente creditados como o resumo da década de 60. Não diríamos que era o resumo ou a síntese da famosa década do século XX, mas apenas o auge de um processo que aconteceu durante toda a década.

Na verdade, a Contracultura teria origem na década de 50, quando a juventude intelectualizada dos EUA e Europa estava desconfiada com a rebeldia massificada do rock'n'roll. Esses jovens liam escritores beat como Jack Kerouac e William Burroughs, apreciavam o cinema do neo-realismo italiano e da nouvelle vague francesa, apreciavam filosofia existencialista, misticismo oriental, artes plásticas modernistas (desde os dadaístas até nomes como Amedeo Modigliani e Jackson Pollock, além da pop art e do concretismo) e teatro engajado ou interativo. Musicalmente, …

ANALFABITLES

A banda Analfabitles foi uma das mais prestigiadas bandas de garagem brasileiras da década de 60.

Por Nélio Rodrigues - Senhor F

Os Analfabitles contabilizavam três anos de existência em 1968. No início eram um quarteto e atendiam pelo nome de The New Kings. Uma fase curta, movida por uma aparelhagem incipiente e muita disposição. Logo, o pretensioso nome foi abolido, substituído pelo trocadilho com o qual a banda viria a se tornar uma legenda no Rio de Janeiro.

Mimetizando os grupos ingleses e norte-americanos, dos quais sugavam o repertório, os Analfabitles seguiam rota divergente do estilo predominantemente brega da jovem guarda. De fato, compartilhavam com outras bandas beat e de garagem, como The Outcasts, The Bubbles, The Trolls, The Divers e The Crows, entre outras, um nicho distinto e exclusivo, porém sem muita atenção das TVs e dos jornais e revistas, como recebiam os artistas daquela vertente.

No entanto, em 1968, já como um sexteto, a banda atravessava um momento efervescente. …

A TRAJETÓRIA DE DARCY RIBEIRO

As gerações recentes não conhecem os grandes homens que fizeram alguma coisa pelo país. A memória curta, motivo de anedota durante a ditadura militar, no entanto é moeda de aposta da grande mídia, que, aparentemente em nome do "novo", menospreza as lições do passado. Desde a década de 90, marcada pelo entretenimento obsessivo, pelo pragmatismo do presente e pelo desprezo aos grandes ideais de transformação, tidos erroneamente como falidos, o culto à "memória curta", que tem a vantagem, para as elites, de resgatar personalidades duvidosas através da ocultação de seus erros, chega a ser defendido por setores reacionários da juventude.

Exemplos de personalidades desprezadas pelo grande público são muitos. Apenas poucos iluminados conseguem admirá-los e seguir ou mesmo discutir e questionar seus legados, no saudável debate pelo aperfeiçoamento das idéias. Um deles é o antropólogo, etnólogo, educador e senador Darcy Ribeiro, que as gerações mais recentes se lembram mais …

ANÍSIO TEIXEIRA: UMA LIÇÃO DE EDUCADOR PARA O BRASIL

A realidade educacional do Brasil ainda está cheia de imperfeições e de problemas. No entanto, ela poderia ter sido pior, não fosse em boa parte pela atuação de um professor que, durante várias décadas, realizou vários projetos e implantou novas idéias no então burocrático e moralista sistema de ensino brasileiro. Anísio Teixeira, que teria completado 100 anos no dia 12 de julho passado, foi o cidadão que deu valiosa contribuição à educação brasileira do século XX.

De educação conservadora e jesuíta, Anísio Spínola Teixeira rompeu com os valores católicos ortodoxos por intermédio do amigo Monteiro Lobato, o criador do Jeca Tatu e do Sítio do Pica-pau Amarelo e que defendeu a campanha pelo surgimento de uma empresa estatal de exploração do petróleo (que veio a ser a Petrobrás – Petróleo Brasileiro S. A. - em 1953). Anísio, natural de Caetité, interior da Bahia, já expunha suas idéias a respeito da educação, tendo sido ao longo da vida um adepto das idéias de John Dewey (1859-1952), estu…