A verdadeira música universitária


EDU LOBO, UM DOS NOMES DA VERDADEIRA MÚSICA UNIVERSITÁRIA

A moderna MPB sirgiu no circuito universitário, quando a sofisticação da Bossa Nova e o engajamento do Centro Popular de Cultura da UNE se uniram diante do delicado cenário sócio-político da ditadura militar. O termo MPB acabou significando uma espécie de Frente Ampla da cultura brasileira, em que as melodias serviam também de arma contra o arbítrio militar. Eram melodias que juntavam a simplicidade dos ritmos regionais com a educação poética e melódica da Bossa Nova, numa fusão que, na década de 60, causou um grande impacto pela sua criatividade excepcional.

Era a verdadeira canção universitária, em tempos em que o movimento estudantil não era corrompido e, mesmo na ilegalidade, lutava por ideais democráticos e contra o abuso do poder da ditadura militar. Havia a ameaça da privatização das universidades federais e, em 1965, já se esboçava o acordo entre o Ministério de Educação e a agência de ajuda norte-americana USAID, que iria transformar o ensino superior em um processo meramente tenocrático.

Os festivais de música da televisão, sobretudo a TV Record de São Paulo, foram o principal reduto da música universitária autêntica, que era, também, solidária de fato com a canção popular genuína. Com o tempo, o Tropicalismo se somou à MPB com elementos estrangeiros recriados no contexto brasileiro, e que por sua vez influenciariam a geração de cantores e cantoras dos anos 70.

É de se lamentar, todavia, que hoje exista uma "música universitária" que, sabemos, é influenciada por ritmos popularescos, herdeiros da música brega que até existia, sem esse nome, nos anos 60, mas era divulgada nos rincões latifundiários de nosso país.

O chamado "brega universitário" ("sertanejo universitário", "pagode universitário" e outros, até mesmo o "arrocha universitário") não prima pela qualidade musical nem pela inteligência. Ele se define mais pelo visual bem cuidado, pela tecnologia avançada, é mais um sinônimo de música brega feita por pessoas riquinhas e arrumadinhas. Mas, mesmo assim, extremamente arrogantes, já que criticar qualquer ídolo desse universo "universitário" significa se sujeitar a reações irritadas de seus adeptos. Tal qual os estudantes reacionários da Universidade Mackenzie em 1968, ligados ao Comando de Caça aos Comunistas.

Para sentir a arrogância dos "bregas universitários", uma das duplas do dito "sertanejo universitário" usa um nome artístico que soa como uma provocação a dois nomes da MPB autêntica, o cantor João Bosco (da genuína geração universitária dos anos 70) e Vinícius de Morais, diplomata e poeta que apoiou o CPC da UNE.

Por isso, nada tem a ver a sofisticação musical da música brasileira universitária dos anos 60 e os novos ídolos "universitários" de hoje, que só disfarçam a mediocridade e a burrice com muito visual e muito equipamento de ponta, além de, é claro, um intenso e agressivo (em todos os aspectos) esquema de marketing.

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