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PROGRESSIVO FOI POPULAR ENTRE ROQUEIROS BRASILEIROS


A BANDA INGLESA YES FOI MUITO APRECIADA ENTRE OS MÚSICOS BRASILEIROS.

O rock progressivo foi uma evolução musical do rock psicodélico, e por incrível que pareça sua história pode ter surgido por dois caminhos em 1966, seja a partir das lições do Moody Blues - que já apresentava influências sinfônicas - , seja pelos Beach Boys (isso mesmo, os de "Surfin' USA"), através do disco Pet Sounds, que, mesmo sem fugir do estilo vocal e instrumental dos californianos, foge da temática surfista e juvenil dos discos anteriores, e expressa a obsessão de Brian Wilson de compor canções fortemente melodiosas.

Mas foi o álbum Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band dos Beatles que impulsionou a onda progressiva, junto a outros discos como Are You Experienced? de Jimi Hendrix Experience e já os primeiros LPs da banda Frank Zappa & The Mothers of Invention. Logo no final da década de 60, viriam os primeiros grandes grupos progressivos, como Jethro Tull, Yes, Gentle Giant, Genesis e King Crimson.

O Brasil viveu uma situação insólita. Recebendo tardiamente as influências do rock sessentista - só para se ter uma ideia, enquanto a California, nos EUA, vivia o apogeu do psicodelismo, em 1967, a juventude brasileira (salvo a turma underground, ou "udigrudi") ainda ouvia The Platters - , o Brasil só assistiu à onda psicodélica, meio misturada com a onda hippie da "Woodstock nation" e com a ascensão dos progressivos em 1970, quando os jovens se desiludiram com a situação do país, devido ao AI-5 e à concretização do projeto repressivo do governo militar, que fazia seus primeiros desaparecidos políticos (cuja divulgação na imprensa era proibida).

Então era a onda do desbunde, que era uma expressão que equivalia à "sacanagem", algo entre a encrenca e o desabafo. Desbundar era se encrencar. Mas o desbunde era gozação, esculhambação com a situação de marasmo forçado do Brasil ditatorial. A desilusão com o colapso da Contracultura, com o fim dos movimentos estudantis e de todo protesto que ainda existia nos quatro primeiros anos do regime militar. A juventude "parafrentex" (para citar expressão da época) tornou-se underground não por opção, mas por necessidade de sobrevivência. E rock virou coisa de roqueiro. A classe média curtia MPB semi-clandestinamente e as rádios que apoiavam a ditadura "presenteavam" o povo com música brega.

O rock progressivo entrou na mente dos jovens brasileiros como uma utopia de aperfeiçoamento musical. Muitos grupos surgiram, a maioria no underground, mas destaca-se o Sagrado Coração da Terra, o Terço e a experiência dos Mutantes apenas com Sérgio Dias Baptista da formação original.

Essa utopia era gozada porque os músicos aparentemente não dispunham de recursos para comprar instrumentos e equipamentos melhores. Também a ditadura militar criava um ambiente sócio-político digno de um pesadelo. Então, essa utopia era vivida com espírito de improviso, com uma certa ingenuidade que não tornava impossível a causa progressiva, mas tornava-a difícil e complicada. Mesmo assim, quem acreditava no progressivo, nas aulas de música em cursos mais avançados - como violão clássico, por exemplo - , no aprendizado da flauta, do piano, no conhecimento da música clássica e da MPB mais virtuosista, se dava bem, se não no sucesso comercial, mas na construção de uma reputação que, a longo prazo, faria a diferença.

O grupo inglês Yes era a banda mais popular entre os fãs de rock progressivo no Brasil. Depois viriam o Pink Floyd (já distante da poesia e do senso de humor de Syd Barrett) e Genesis (então sob a liderança do performático Peter Gabriel, hoje comprometido com um som mais eclético e experimental). Mas King Crimson, Jethro Tull e Procol Harum, entre outros, tinham sua cadeira cativa. E Rick Wakeman, tecladista solo que integrou o Yes por uma fase, era um dos músicos mais cobiçados pelos brasileiros, assim como Steve Howe, também do Yes, David Gilmour, do Pink Floyd, e Robin Trower, do Procol Harum. Robert Fripp, do King Crimson, era uma espécie de ídolo alternativo dos progressivos.

O rock progressivo também influenciou o Clube da Esquina, havendo sobretudo uma banda que mesclava Yes com Byrds de forma bem mineira, o 14-Bis (formado por alguns integrantes do Terço). E isso refletia até mesmo no repertório de Elis Regina, já que ela gravou músicas do amigo Milton Nascimento. Foi uma forma de trazer o progressivo para as massas, de alguma forma.

No entanto, os exageros da superprodução e de virtuosismo instrumental - havia até piada irônica de que um sucesso progressivo tinha que ter um solo de bateria de no mínimo cinco minutos, ou que um compacto simples de rock progressivo seria dividido em uma caixa de pelo menos 5 LPs - fez o progressivo se desgastar e entrar a simplicidade do punk rock, em 1976. Mas a novidade só seria percebida pelos brasileiros a partir de 1979, quando muitos se convenceram de que os vestígios hippies e progressivos estavam ultrapassados (mas ainda resistiriam alguns anos depois).

Um caso típico é o grupo Vímana, de Lulu Santos, Ritchie e Lobão, que oscilava entre o rock básico tipo Rolling Stones e o progressivo tipo Yes. O grupo dissolveu para ser uma banda de apoio do suíço Patrick Moraz, ex-Yes, mas toda a metodologia progressiva deste tecladista entediou os brasileiros, que, como poucos informados no Brasil, sabiam que o progressivo estava decadente. O grupo chegou a fazer alguns ensaios, mas se dissolveu e os três músicos hoje fazem um som mais próximo do rock básico ou mesmo do pop sofisticado (como Ritchie, erroneamente chamado de "brega", para deleite dos verdadeiros bregas que, por sua vez, são creditados erroneamente como "MPB").

O progressivo brasileiro continua até hoje, gerando até bandas recentes, mas é um estilo underground com um público mais especializado e fiel.

Comentários

  1. Olá ! Caso queira um maior contato com o livro que se chama: YES UMA RARA MÚSICA DE QUINTETO (rock progressivo anos 70), favor procurar em pesquisa GOOGLE com a seguinte frase: YES UMA RARA MÚSICA DE QUINTETO EM LIVRO.

    O trabalho tem 208 páginas inteiramente dedicadas ao YES. O autor é o músico brasileiro, Manoel Décio Estigarribia.Você também pode encontrá-lo no Orkut.O livro é comercializado diretamente c/ o autor e o preço é de R$ 28,00 já incluindo a postagem registrada.

    Divulgação cultural. Abraço.

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