quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Os "emos" de 50 anos atrás


PAT BOONE TORNOU-SE APRESENTADOR DE TEVÊ E GRAVOU ATÉ DISCO DE ROCK PESADO (?); PAUL ANKA VIROU COMPOSITOR DE SUCESSO, TENDO UMA MÚSICA GRAVADA POR FRANK SINATRA.

1958 parecia o ano em que o rock'n'roll, ritmo lançado ao sucesso mundial quatro anos antes, começava a se desgastar. Já soava meio velho, o que fez com que outros ritmos como o cha-cha-cha (inspirado nas rumbas), o hully-gully (influenciado no country) e o twist (influenciado pelo rock, mas rompendo com seu estado de espírito), desviassem as atenções dos jovens.

Elvis Presley havia entrado no serviço militar e o show business tratou de investir em novos ídolos. Vieram então uma geração de moços-galãs, como Paul Anka, Neil Sedaka, Pat Boone, Ricky Nelson, Bobby Darin, entre tantos outros. A onda dos "roqueiros bons-moços" era tal que tinha até jogador de futebol americano se passando por "roqueiro" e gravando disco.


BOBBY DARIN E RICKY NELSON FALECERAM, RESPECTIVAMENTE, EM 1973 E 1985.

A regra era imitar no que havia de mais "certinho" no fenômeno Elvis Presley. A ênfase era nas canções românticas e na diluição mais domesticada do ritmo roqueiro, apoiando-se no sistema de estrelato que faria os cantores-galãs adorados pelas fãs adolescentes.

A moda pode ter feito um estrondoso sucesso comercial e gerado influências sobretudo na música italiana, cuja primeira cena considerada de rock mesclava o romantismo que marcava eventos musicais como o Eurovision com o rock de Elvis, gerando uma tradução roqueira mais próxima do perfil domesticado. No entanto, deixou o rock'n'roll, como era conhecido através de Bill Haley, Jerry Lee Lewis e Little Richard, além do próprio Elvis em sua fase "crua" de 1956-1957, em baixa entre os jovens.

Para piorar, os anos de 1959 e 1960 seriam marcados por tragédias envolvendo cantores emergentes do rock'n'roll original, como Richie Valens e Buddy Holly, mortos em 1959 num acidente aéreo nos EUA, e Eddie Cochran, morto em um acidente de carro na Inglaterra. Era a sombra de James Dean (1931-1955), ator que nunca foi músico mas era um símbolo de comportamento para o rock'n'roll original, assustando os jovens de então mais uma vez.

Porém, mais cedo ou mais tarde, a moda dos cantores-galãs acabou, quando outros cantores, apesar da boa aparência, vieram para fazer rock de verdade, revigorando as lições da turma de 1954-1955. Del Shannon e Dion Di Mucci eram dois deles. Mas, curiosamente, um cantor dessa cena, Ronnie James Dio, seria mais tarde conhecido como um dos mais respeitados e populares cantores de heavy metal do mundo, tendo participado de uma das formações do Black Sabbath e do grupo de metal-progressivo Rainbow.

Diante disso, Pat Boone depois tornou-se apresentador de TV. Paul Anka e Neil Sedaka tornaram-se compositores hit-makers, algo que no Brasil se viu com os ídolos bregas Odair José, Luís Ayrão e Benito di Paula. Paul Anka adaptou uma composição francesa, transformando-a em "My Way", que se tornou grande sucesso na interpretação de Frank Sinatra em 1969 mas, nos anos 70, ganhou uma versão sarcástica do punk rock através de Sid Vicious. Os outros cantores-galãs não conseguiram se segurar no sucesso, e Bobby Darin faleceu de overdose no início dos anos 60.

Nos anos 90, Pat Boone gravou um disco de covers de rock pesado. Mas, na década de 80, pouco depois da morte de Ricky Nelson, em um desastre aéreo, seus dois filhos gêmeos formaram um grupo no mesmo estilo poser de Bon Jovi, que se chamou apenas Nelson.

Para as gerações recentes, os cantores-galãs de 1958-1961 equivaliam, para a época, o que as bandas "emo" correspondem aos dias de hoje.

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