quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

O PINK FLOYD ORIGINAL


Muita gente associa o nome Pink Floyd ao famoso grupo de rock progressivo dos anos 70, de uma postura mais séria e um tanto melancólica, aliada a capas de discos esquisitas e uma virtuose instrumental envolvente.

Mas originalmente o grupo não era assim. Os primórdios do grupo mostravam uma banda psicodélica, com um outro vocalista e letrista, cuja musicalidade era mais alegre e lírica, e as letras eram verdadeiros poemas dotados de senso de humor.

A origem do Pink Floyd se deu em 1964, quando depois de diversos nomes (entre eles Architectural Abdabs, Sigma 6 e Magadeaths) uma banda de Londres influenciada por soul e jazz, decidiu se chamar Tea Set. A banda existia desde 1963. Após várias formações e depois de Chris Dennis, vocalista, ter saído do grupo, a formação inicial teve Syd Barrett como cantor e guitarrista rítmico, Rado "Bob" Klose como guitarrista principal, Roger Waters no baixo, Richard Wright no órgão e Nicky Mason na bateria.

O nome havia se mudado para The Pink Floyd Sound quando os integrantes souberam que havia outra banda com o nome de Tea Set. O nome Pink Floyd foi escolhido por Barrett para homenagear dois cantores de blues que ele gostava muito, Pink Anderson e Floyd Council.

Bob Klose, pouco depois, saiu da banda, e Syd Barrett tornou-se o único guitarrista. Começaram então formatando um som calcado no acid rock, com a maior parte das composições a cargo de Syd Barrett. Como a maioria do rock psicodélico, é verdade que o Pink Floyd antecipou o progressivo em algumas faixas, como a longa instrumental "Interestellar Overdrive", composta por todos os quatro, mas havia desde influências de blues e surf music até uma estranha polka chamada "Bike".

O grupo gravou diversas músicas, que se tornaram raridades. Mas o principal do repertório dessa fase do Pink Floyd é o compacto See Emily Play / Arnold Layne, de 1966, presente na coletânea Relics (1971), o álbum Piper At The Gates of Dawn, de 1967 e a música "Jugband Blues", incluída no A Saucerful of Secrets, de 1968.

Piper At The Gates of Dawn é um dos muitos álbuns lançados no ano de 1967 e que marcaram a história do rock. E tem uma grande curiosidade é que foi gravado no edifício Abbey Road Studios na mesma época de Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, dos Beatles. Outra curiosidade é que o Pink Floyd excursionou durante um tempo com a Jimi Hendrix Experience. Que excursão envolvendo duas grandes bandas!!

O sucesso crescente do Pink Floyd, no entanto, teve como grande dificuldade o envolvimento de Syd com alucinógenos, e um incidente que marcou essa fase foi uma entrevista no programa de TV de Pat Boone - sim, o cantor canastrão da geração 1958 - em que, em dado momento, Syd de repente fica parado olhando para a câmera, sem dizer uma palavra.

A situação de Barrett se agravou de tal forma que os outros integrantes decidiram chamar um amigo, David Gilmour, para tocar guitarra na banda enquanto, a princípio, Barrett apenas cantava. Depois Barrett foi cogitado para ser apenas compositor. Mas isso não aconteceu. Barrett simplesmente estava tomado pelos efeitos dos alucinógenos.

Syd Barrett lançou dois álbuns, Madcap Laughs e Barrett, ambos de 1970. Parecia uma carreira fértil, com dois LPs seguidos num único ano, mas depois disso Barrett desistiu de seguir a música. Durante 36 anos, ele se dedicou à pintura e viveu recluso na casa da mãe (e, depois, da irmã). Diabético e quase cego, ainda recebia músicos para conversas.

Barrett morreu em 2006 (dois anos depois seria a vez de Ricky Wright), deixando um legado que mostrava seu grande talento de cantor, letrista e guitarrista, sendo um dos mestres da cultura alternativa do mundo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.