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Lotações eram as vans do passado


LOTAÇÃO DA EMPRESA AUTO ANGLIA, CIRCULANDO EM 1955 NO BAIRRO DO ENGENHO NOVO, NO RIO DE JANEIRO, ENTÃO DISTRITO FEDERAL.

Os lotações (sim, o gênero gramatical é masculino) foram os equivalentes às vans e micro-ônibus controlados por particulares, cooperativas ou empresas pequenas no passado distante do país. Eram uma espécie de versão mirim dos antigos ônibus, que na verdade eram caminhões que no lugar do "baú" tinham um "salão" com várias cadeiras enfileiradas em dois corredores juntos às janelas. Algo que, nos seriados americanos, se vê muito nos ônibus escolares.

Os lotações geralmente serviam linhas pequenas, ou ramais que não eram explorados pelas linhas regulares. No Rio de Janeiro, os lotações existiam muito na Zona Norte e Zona Oeste, atendendo bairros distantes não servidos por ônibus comuns, mas havia também linhas para a Zona Sul.

Assim como as vans nos anos 90 e nesta década, os lotações recebiam muitas queixas dos usuários, pelas imprudências do trânsito, pela má conservação dos carros e outras irregularidades.


FOTO DE MÁRIO DE MORAES PARA REPORTAGEM SOBRE TRANSPORTE COLETIVO CARIOCA, PUBLICADA NA REVISTA O CRUZEIRO DE 24.11.1962

No começo da década de 1960, a revista O Cruzeiro, dos Diários Associados de Assis Chateaubriand, publicou várias reportagens sobre os problemas dos transportes coletivos cariocas, assunto muito discutido pelos moradores naqueles três primeiros anos que antecederam ao projeto do governador da Guanabara, jornalista Carlos Lacerda.

Em 24 de novembro de 1962, Ubiratan de Lemos fez uma reportagem comparando os lotações aos ônibus regulares, como vemos nesta foto com o lotação "Lins-Leblon" junto ao ônibus da Viação Elite (empresa extinta), linha13 Estrada de Ferro / Urca (atual 107, servida pela Transportes Amigos Unidos). A reportagem descrevia os lotações como altamente perigosos, comparando-os a verdadeiros assassinos, devido à alta velocidade com a qual rodavam.

Com o projeto de reformulação do sistema de ônibus de Carlos Lacerda, implantado entre 1961 e 1964, uma estatal foi criada para substituir os velhos e também perigosos bondes da Light, a CTC (Companhia de Transportes Coletivos) e estabeleceu lei fundindo vários lotações que se transformaram, entre 1961 e 1964, em diversas empresas, várias delas até hoje em circulação: Auto Viação Tijuca, Auto Viação Alpha, Expresso Pégaso, Viação Verdun, entre outras.

Em 1998, tecnocratas do transporte coletivo ameaçaram implantar o "Rio Bus", caricatura do sistema de ônibus de Curitiba, que na prática faria voltar o sistema de ônibus aos tempos pré-1964, com as vans fazendo papel de "lotações". Felizmente, o projeto não foi implantado, apesar das queixas dos tecnocratas, tomados de muita vaidade e estrelismo. Até porque o Rio de Janeiro cresceu muito depois de 1964, apesar de já ter perdido o status de capital do Brasil.

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