sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Jazz e Standards


As gerações mais recentes não viveram a fase áurea do jazz e, acostumadas com o ecletismo musical, confundem as coisas.

Assim, imaginam que música caribenha instrumental, Bossa Nova, Standards e jazz são a mesma coisa. Para elas, é tudo jazz. Além disso, elas confundem jazz clássico com jazz fusion, o que poderia exigir muita paciência para um especialista de jazz explicar o gênero para a rapaziada que só conhece jazz pelos sucessos mais manjados de Ella Fitzgerald, Louis Armstrong (aliás através de uma balada, "What a Wonderful World", e não do repertório jazzístico) e Sarah Vaughan, para não dizer dos elementos jazzísticos dos sucessos de Frank Sinatra (que só foi cantor de jazz no distante começo de carreira como crooner de uma big band).

Mas não são somente os mais jovens que confundem as coisas. Há, entre os adultos, até mesmo os cinquentões, uma enorme confusão a respeito do jazz. Os mais granfinos, sobretudo, acham que tudo que envolver orquestra de metais, homens vestidos de black tie e um certo ar pomposo e chique, é considerado "jazz". Pura incoerência com a origem bem popular do estilo.

A confusão mais comum envolve o jazz e os standards, que é a música popular norte-americana. Só por esta envolver elementos do jazz, não significa que ela seja o estilo propriamente dito. Como no pop dançante de Michael Jackson, que adota elementos de rock (como em "Beat it" e "Black And White"), e não é rock. Até porque o aproveitamento parcial de elementos de um estilo não indica de modo algum a identificação com ele como um todo.

Os standards, aliás, são herdeiros da fusão do Dixieland (jazz tocado pelos brancos na década de 1920) com a música das peças da Broadway, avenida dos teatros de Nova York, acrescidos também dos elementos da música orquestrada "ligeira", que era uma variante da música clássica em composições curtas e acessíveis, antecessora do musak.

Os standards foram a trilha-sonora da fase áurea de Hollywood, e não é preciso detalhar seus principais compositores, como Cole Porter, Rodgers & Hammerstein, Irving Berlin, os irmãos Gershwin etc.. Alguns deles originários da Broadway.

No período 1920-1935, o jazz era considerado uma música das classes populares, situação que mudou muito na década seguinte, quando a Era do Swing dava lugar à Era do Be-Bop. O jazz, para sobreviver à exploração comercial de Hollywood (que com seu standard sugava algum elemento original do jazz), tornou-se mais sofisticado. Até ser, no mainstream, substituído pela Era do Rock

Recentemente, o rock também perde sua força no mainstream e aos poucos passa o bastão para o pop eclético atual.

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