segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Fila da Manteiga, no Rio de Janeiro, em 1952


FILA DA MANTEIGA - por Roberto Tumminelli
Largo da Carioca, Outubro de 1952.


Originalmente publicado no fotolog Carioca da Gema.

Aqui está um interessante flagrante do cotidiano do Rio de Janeiro. Peço desculpas pela má qulaidade da imagem, mas a sua impressão era terrivel. Dei uma "despiorada" no Photoshop para que ela ficasse mais publicavel.


Podemos ver uma imensa fila que atravessava o Largo da Carioca chegava até a barraca do SAPS - Serviço de Alimentação da Previdência Social que vendia manteiga ao povo, que o governo havia importado. Por cointa do preço que estava abaixo do mercado longas filas de mais de 300 pessoas se formavam. Isso diariamente. Além do preço barato, o atendimento dos funcionários da barraca da SAPS era péssimo. Havia no máximo três funcionários para atender a população. Aliada a má vontade dos funcionários da SAPS, estava também a cisma deles em relação a alguns compradores que acarretava demora no atendimento, irritação e muitas vezes confusão além da já citada fila (resultado de todos esses fatores)
.

A cisma dos funcionarios da SAPS era que muitas vezes comerciantes infiltravam compradores nas filas para que esses estocassem as lojas com a manteiga que era então vendida a preços mais altos que nas barracas da SAPS. Muitas vezes os funcionários se negavam a vender a manteiga a menores de idade que eram mandados pelos seus pais para as imensas filas. Era mais um motivo para confusão, protestos e mais irritação.

O SAPS foi criado em 1940 durante o governo Vargas e deveria garantir alimentação digna e barata à emergente mão-de-obra-industrial com implantação de uma rede pública de restaurantes populares nos grandes centros. Em 1945 seis unidades da SAPS funcionavam no Rio de Janeiro; outras 42 operavam no resto do país fiscalizadas pelo governo. O interessante é que os famosos “bandeijões” de universitários derivaram dos restaurantes da SAPS. O mais famoso era o Restaurante Central dos Estudantes do Rio, ficaria nacionalmente conhecido nas manifestações políticas de 1968/69 como “Calabouço”, que havia sido criado em 1951. O SAPS ainda sobreviveu até 1967. Um decreto da ditadura militar então extinguiu o órgão e fechou vários restaurantes populares, entre eles o Calabouço. A alegação era de que haviam se transformado em espaços de discussão e efervescência política. Só no Rio, 20 mil refeições diárias deixaram de ser fornecidas a populações carentes.

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