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Mostrando postagens de Dezembro, 2009

GAROTAS DO ALCEU

Eu imagino que belo filme Hollywood faria se adaptasse as histórias brasileiras das Garotas do Alceu Penna, que fizeram muito sucesso nas páginas de O Cruzeiro, num filme de longa-metragem. Imagine se víssemos a Natalie Portman, Jessica Lucas, Lacey Chabert, Emma Watson e Alexis Bledel, por exemplo, juntinhas, falando de situações interessantes, de um jeito aparentemente ingênuo mas de uma discreta mas significativa inteligência.

Muita gente pode achar piegas as histórias das Garotas do Alceu - série denominada apenas "Garôtas", com o "chapéuzinho" no "o" - , mas eu, quando lia as edições de O Cruzeiro na biblioteca (escolhia geralmente as edições dos anos 50 e 60), não via essa pieguice. É claro que, num Brasil com funkeiras arrogantes, axezeiras duronas e solteiras fãs de breganejo tolas e medrosas (têm medo de arrumar o vaqueiro que elas tanto sonham para namorar), as Garotas do Alceu parecem fora do tempo. Posso dizer que o problema não são os bons val…

A MAIOR TEORIA CONSPIRATÓRIA DO BRASIL FOI UM LIVRO

No Brasil mergulhado no politicamente correto, um livro cheio de teses discutíveis seduziu os brasileiros, tocando no sentimentalismo presente até mesmo em alguns intelectuais.

Poucos sabem, mas a maior teoria conspiratória existente no Brasil não está publicada necessariamente na Internet - pelo menos que eu saiba, a obra completa - , mas em livro. Considera-se uma teoria conspiratória quando uma ideia aparentemente diferente não encontra sentido totalmente pertinente na realidade.

Pois a grande teoria conspiratória do escritor Paulo César Araújo, escrita no livro Eu Não Sou Cachorro Não (Record: 2001), que fala sobre a música brega dos anos 70, não só conseguiu pegar desprevenida muita gente como virou a própria "verdade oficial" da música brasileira. Tudo porque, nesta tese discutível, Araújo promoveu a fama de "coitadinhos" dos ídolos bregas, que durante muito tempo integraram o establishment da grande mídia brasileira durante a ditadura militar.

Esta tese consist…

CAROLINA MARIA DE JESUS - A INTELECTUAL DO MORRO

A ESCRITORA CAROLINA MARIA DE JESUS

Mais de quatro décadas antes de livros como os da série Falcão, de MV Bill, ou de obras sobre a realidade das favelas escritas por gente de fora dos morros, como Carandiru e Abusado, se tornarem sucesso nas livrarias, uma moradora de favela se destacou como escritora e intelectual, num tempo em que a cultura das favelas não era ainda manipulada pela mass media.

Ela nasceu em Sacramento, em Minas Gerais, em 14 de março de 1914. Sua família extremamente pobre contava ainda com outros sete irmãos. Na década de 30 se mudou para São Paulo para arrumar trabalho e, morando na favela do Canindé, que ficava às margens do Rio Tietê e hoje não existe mais, sustentava três filhos trabalhando como catadora de papel. Certa vez, no meio de um lixo, Carolina encontrou um caderno velho, sem coisa alguma escrita e com folhas meio soltas, e pensou em registrar suas memórias em forma de diário.

Por sorte, Carolina foi descoberta em 1958 por um repórter da Folha da Noite (…

O PINK FLOYD ORIGINAL

Muita gente associa o nome Pink Floyd ao famoso grupo de rock progressivo dos anos 70, de uma postura mais séria e um tanto melancólica, aliada a capas de discos esquisitas e uma virtuose instrumental envolvente.

Mas originalmente o grupo não era assim. Os primórdios do grupo mostravam uma banda psicodélica, com um outro vocalista e letrista, cuja musicalidade era mais alegre e lírica, e as letras eram verdadeiros poemas dotados de senso de humor.

A origem do Pink Floyd se deu em 1964, quando depois de diversos nomes (entre eles Architectural Abdabs, Sigma 6 e Magadeaths) uma banda de Londres influenciada por soul e jazz, decidiu se chamar Tea Set. A banda existia desde 1963. Após várias formações e depois de Chris Dennis, vocalista, ter saído do grupo, a formação inicial teve Syd Barrett como cantor e guitarrista rítmico, Rado "Bob" Klose como guitarrista principal, Roger Waters no baixo, Richard Wright no órgão e Nicky Mason na bateria.

O nome havia se mudado para The Pin…

UM RISO EM DECÚBITO - DON ROSSÉ CAVACA

CAPA DA EDIÇÃO DE 2007 DO LIVRO DE DOM ROSSÉ CAVACA, QUE EM 1961 CUSTAVA CR$ 995,00. A NOTA DE CINCO CRUZEIROS VINHA COMO BRINDE, SERVINDO DE TROCO PARA QUEM DESSE MIL CRUZEIROS.

Por Alexandre Figueiredo - editor deste blog

Está no mercado brasileiro, novamente, um famoso livro de humor de 1961, há muito tempo esquecido neste país sem memória.

É o livro "Um riso em decúbito", de Don Rossé Cavaca, livro que eu soube da existência quando pesquisei a retrospectiva de 1961 da revista Manchete, na edição do final de dezembro daquele ano (não pude guardar a data).

Don Rossé Cavaca era na verdade José Martins de Araújo Jr.. Era jornalista, publicitário, radialista, ator, humorista. Começou sua carreira como jornalista esportivo, no Jornal dos Sports, assinando as matérias como Araújo Júnior.

Fã de Dom Quixote, famoso personagem da literatura mundial, Araújo Jr. passou a integrar, em 1949, a equipe do jornal Tribuna da Imprensa, do qual foi um dos fundadores, ao lado dos jornalistas Carl…

A verdadeira música universitária

EDU LOBO, UM DOS NOMES DA VERDADEIRA MÚSICA UNIVERSITÁRIA

A moderna MPB sirgiu no circuito universitário, quando a sofisticação da Bossa Nova e o engajamento do Centro Popular de Cultura da UNE se uniram diante do delicado cenário sócio-político da ditadura militar. O termo MPB acabou significando uma espécie de Frente Ampla da cultura brasileira, em que as melodias serviam também de arma contra o arbítrio militar. Eram melodias que juntavam a simplicidade dos ritmos regionais com a educação poética e melódica da Bossa Nova, numa fusão que, na década de 60, causou um grande impacto pela sua criatividade excepcional.

Era a verdadeira canção universitária, em tempos em que o movimento estudantil não era corrompido e, mesmo na ilegalidade, lutava por ideais democráticos e contra o abuso do poder da ditadura militar. Havia a ameaça da privatização das universidades federais e, em 1965, já se esboçava o acordo entre o Ministério de Educação e a agência de ajuda norte-americana USAID, que iri…

Fila da Manteiga, no Rio de Janeiro, em 1952

FILA DA MANTEIGA - por Roberto Tumminelli
Largo da Carioca, Outubro de 1952.

Originalmente publicado no fotolog Carioca da Gema.

Aqui está um interessante flagrante do cotidiano do Rio de Janeiro. Peço desculpas pela má qulaidade da imagem, mas a sua impressão era terrivel. Dei uma "despiorada" no Photoshop para que ela ficasse mais publicavel.

Podemos ver uma imensa fila que atravessava o Largo da Carioca chegava até a barraca do SAPS - Serviço de Alimentação da Previdência Social que vendia manteiga ao povo, que o governo havia importado. Por cointa do preço que estava abaixo do mercado longas filas de mais de 300 pessoas se formavam. Isso diariamente. Além do preço barato, o atendimento dos funcionários da barraca da SAPS era péssimo. Havia no máximo três funcionários para atender a população. Aliada a má vontade dos funcionários da SAPS, estava também a cisma deles em relação a alguns compradores que acarretava demora no atendimento, irritação e muitas vezes confusão além da…

PROGRESSIVO FOI POPULAR ENTRE ROQUEIROS BRASILEIROS

A BANDA INGLESA YES FOI MUITO APRECIADA ENTRE OS MÚSICOS BRASILEIROS.

O rock progressivo foi uma evolução musical do rock psicodélico, e por incrível que pareça sua história pode ter surgido por dois caminhos em 1966, seja a partir das lições do Moody Blues - que já apresentava influências sinfônicas - , seja pelos Beach Boys (isso mesmo, os de "Surfin' USA"), através do disco Pet Sounds, que, mesmo sem fugir do estilo vocal e instrumental dos californianos, foge da temática surfista e juvenil dos discos anteriores, e expressa a obsessão de Brian Wilson de compor canções fortemente melodiosas.

Mas foi o álbum Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band dos Beatles que impulsionou a onda progressiva, junto a outros discos como Are You Experienced? de Jimi Hendrix Experience e já os primeiros LPs da banda Frank Zappa & The Mothers of Invention. Logo no final da década de 60, viriam os primeiros grandes grupos progressivos, como Jethro Tull, Yes, Gentle Giant, Genesis e Kin…

Cristiano Machado, o homem que virou termo

O POLÍTICO MINEIRO CRISTIANO MACHADO (1893-1953)

Por Hélio Campos Mello, diretor de redação da revista Brasileiros

Antes do 1º turno das eleições municipais, no próximo domingo (5), um pouco de História sobre pleitos no País:

Cristianização

"Termo utilizado a partir de 1951 para designar a traição de um partido político a seu candidato a cargo eletivo. A origem está ligada ao nome de Cristiano Monteiro Machado, candidato à presidência da República em 1950 pelo Partido Social Democrático (PSD). Embora Cristiano Machado tenha sido indicado como candidato oficial do PSD em 17 de maio de 1950 e confirmado na convenção nacional de 9 de junho do mesmo ano, seu partido na realidade apoiou a candidatura de Getúlio Vargas.

"As razões da atitude do PSD estariam ligadas à dissidência que se abriu dentro do partido em torno da escolha de um candidato à presidência da República."

Trecho do texto de Alzira Alves de Abreu, presente no Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB), do …

Ditadura permitiu pornografia para amansar o povo pobre

1964: Várias marchas envolvendo grupos religiosos, entidades diversas (como a CAMDE - Campanha da Mulher pela Democracia - , o "instituto" IPES e a Escola Superior de Guerra) e o empresariado, reivindicavam moralidade ao pedirem a derrubada do governo João Goulart. Foram as chamadas Marchas da Família Com Deus pela Liberdade, cujo clímax aconteceu no Vale do Anhangabaú, São Paulo, em 19 de março daquele ano. Uma outra marcha aconteceu no Rio de Janeiro, em 02 de abril, para comemorar o golpe militar.

Dez anos depois, com a crise do petróleo no Oriente Médio atingindo o mundo, o Brasil sofreu um colapso econômico que comprometeu seriamente o "milagre brasileiro" do governo do general Médici e levaria a ditadura militar à falência, anos depois. a crise do petróleo aconteceu em 1973 e fatos sócio-políticos diversos já começavam a abalar o regime militar, apesar da atividade intensa dos órgãos de repressão que matavam a sangue frio diversos acusados de subversão, sobret…

Jazz e Standards

As gerações mais recentes não viveram a fase áurea do jazz e, acostumadas com o ecletismo musical, confundem as coisas.

Assim, imaginam que música caribenha instrumental, Bossa Nova, Standards e jazz são a mesma coisa. Para elas, é tudo jazz. Além disso, elas confundem jazz clássico com jazz fusion, o que poderia exigir muita paciência para um especialista de jazz explicar o gênero para a rapaziada que só conhece jazz pelos sucessos mais manjados de Ella Fitzgerald, Louis Armstrong (aliás através de uma balada, "What a Wonderful World", e não do repertório jazzístico) e Sarah Vaughan, para não dizer dos elementos jazzísticos dos sucessos de Frank Sinatra (que só foi cantor de jazz no distante começo de carreira como crooner de uma big band).

Mas não são somente os mais jovens que confundem as coisas. Há, entre os adultos, até mesmo os cinquentões, uma enorme confusão a respeito do jazz. Os mais granfinos, sobretudo, acham que tudo que envolver orquestra de metais, homens vesti…

Os "emos" de 50 anos atrás

PAT BOONE TORNOU-SE APRESENTADOR DE TEVÊ E GRAVOU ATÉ DISCO DE ROCK PESADO (?); PAUL ANKA VIROU COMPOSITOR DE SUCESSO, TENDO UMA MÚSICA GRAVADA POR FRANK SINATRA.

1958 parecia o ano em que o rock'n'roll, ritmo lançado ao sucesso mundial quatro anos antes, começava a se desgastar. Já soava meio velho, o que fez com que outros ritmos como o cha-cha-cha (inspirado nas rumbas), o hully-gully (influenciado no country) e o twist (influenciado pelo rock, mas rompendo com seu estado de espírito), desviassem as atenções dos jovens.

Elvis Presley havia entrado no serviço militar e o show business tratou de investir em novos ídolos. Vieram então uma geração de moços-galãs, como Paul Anka, Neil Sedaka, Pat Boone, Ricky Nelson, Bobby Darin, entre tantos outros. A onda dos "roqueiros bons-moços" era tal que tinha até jogador de futebol americano se passando por "roqueiro" e gravando disco.


BOBBY DARIN E RICKY NELSON FALECERAM, RESPECTIVAMENTE, EM 1973 E 1985.

A regra era imi…

Lotações eram as vans do passado

LOTAÇÃO DA EMPRESA AUTO ANGLIA, CIRCULANDO EM 1955 NO BAIRRO DO ENGENHO NOVO, NO RIO DE JANEIRO, ENTÃO DISTRITO FEDERAL.

Os lotações (sim, o gênero gramatical é masculino) foram os equivalentes às vans e micro-ônibus controlados por particulares, cooperativas ou empresas pequenas no passado distante do país. Eram uma espécie de versão mirim dos antigos ônibus, que na verdade eram caminhões que no lugar do "baú" tinham um "salão" com várias cadeiras enfileiradas em dois corredores juntos às janelas. Algo que, nos seriados americanos, se vê muito nos ônibus escolares.

Os lotações geralmente serviam linhas pequenas, ou ramais que não eram explorados pelas linhas regulares. No Rio de Janeiro, os lotações existiam muito na Zona Norte e Zona Oeste, atendendo bairros distantes não servidos por ônibus comuns, mas havia também linhas para a Zona Sul.

Assim como as vans nos anos 90 e nesta década, os lotações recebiam muitas queixas dos usuários, pelas imprudências do trânsito,…

SÉRGIO MURILO FOI "REI" ANTES DE ROBERTO CARLOS

Não dá para entender por que a mídia prefere se dedicar mais aos retardatários da Jovem Guarda (salvo os medalhões) do que os pioneiros.

Preferem falar de Paulo Sérgio, Odair José, Luís Ayrão e Evaldo Braga, enquanto desprezam Ronnie Cord, George Freeman e sobretudo Sérgio Murilo.

Sérgio Murilo (1941-1992) foi o rei da música jovem bem antes de Roberto Carlos. O cantor capixaba mais popular do país começava sua carreira, entre Bossa Nova, bolero e esboços do som da Jovem Guarda (termo que veio de 1964 da mente do publicitário Carlito Maia com base numa declaração do comunista Lênin). Mas, antes de 1963, Roberto Carlos não tinha sequer um quarto do sucesso que tinha hoje, embora seu potencial fosse evidente e seu talento fosse notável. Embora renegado pelo próprio cantor hoje em dia, Louco por Você, LP de 1961 de Roberto Carlos, é bem melhor do que muitas baboseiras que ele gravou nos anos 80 e 90.

Mas falando sobre Sérgio Murilo, ele é que era o rei da juventude musical brasileira, e seu…

A falta que faz Sílvia Telles

Entre as décadas de 50 e 60, uma cantora de belíssima voz e, por sinal, linda também, marcou a Música Popular Brasileira com um talento ímpar. É uma cantora que faz falta, pela sua inigualável beleza de voz, ao mesmo tempo suave e intensa.

Temos hoje discípulas de Elis Regina, discípulas de Gal Costa e até mesmo de Marisa Monte. Mas de Sílvia Telles, a MPB não encontra discípula. Por outro lado, é lamentável que a maioria das cantoras emergentes - aqui não se fala da MPB autêntica - prefere adotar um falso estilo black, com firulas completamente artificiais como o excesso de vibratos e o prolongamento desnecessário de sílabas.

No entanto, a exemplo de Elis, com sua Maria Rita Mariano, Sílvia Telles também teve filha seguindo a música, a também cantora Cláudia Telles, em atividade até hoje, apesar de fora da grande mídia.

Segue aqui um texto do Wikipedia que dá uma noção de como foi a trajetória dela e para as gerações saberem que foi Sílvia Telles (o prenome foi às vezes grafado como Syl…

Ligas Camponesas foram o MST do Brasil dos anos 50-60

O advogado e político FRANCISCO JULIÃO, que tornou-se o líder militante das Ligas Camponesas até o Golpe de 1964. Ele chegou ainda a participar das campanhas pelas Diretas Já na década de 80.

A ação de manifestantes sem-terra brasileiros não é novidade alguma entre nós. Se percebermos bem, essas manifestações surgiram desde que o país cresceu ainda no período colonial, quando as primeiras ocupações de terras no interior brasileiro provocavam conflitos e injustiças. Até Gilberto Freyre, nosso ilustre antropólogo, já afirmava a realidade de grandes proprietários de terras no período colonial brasileiro.

Pode-se dizer que as revoltas dos trabalhadores rurais sem-terras se equipara às inúmeras revoltas de diversos estratos populares ocorridas no século XIX no Brasil. Ou então na beirada do século XX, que foi o caso da Revolta de Canudos, comandada pelo peregrino Antônio Conselheiro e ocorrida na comunidade de Canudos, no interior da Bahia.

As Ligas Camponesas, com esse nome, teria se origina…

TWIST DÁ LIÇÃO DE DESPRETENSÃO AO "FUNK CARIOCA"

O rock estava em entressafra, tanto pelo envelhecimento musical de seus pioneiros (Chuck Berry, Little Richard, Jerry Lee Lewis, Bill Haley), pela morte prematura de músicos emergentes (Buddy Holly, Richie Valens, Eddie Cochran) e pela invasão de cantores canastrões (Pat Boone, Ricky Nelson, Bobby Darin).

Nesta situação, por volta de 1960, a música jovem buscou outros focos. Algo que acontece hoje, quando os jovens atuais têm suas atenções desviadas do rock para o techno, o hip hop e o pop dançante em geral. Há quase cinquenta anos, os ritmos que desviaram as atenções juvenis eram cha-cha-cha (espécie de mambo mais sensual), o hully-gully e, sobretudo, o twist.

O twist era um ritmo que, na aparência, era até derivado sonoramente do rock'n'roll. Mas seu andamento era menos acelerado e as guitarras eram as mínimas possíveis. E o estado de espírito roqueiro, isso o twist não tinha. Estava mais próximo das gerações mais recentes de jazz e swing dos anos 50, como Johnnie Ray.

Seu maio…

Beatles dão idéia de como uma década é diferente em seus anos

O grupo inglês The Beatles foi uma das bandas de rock mais populares do mundo. O grupo existiu entre 1960 e 1970, mas seus músicos antes integraram o Quarrymen e havia um embrião chamado Silver Beatles(e Ringo havia integrado outras bandas antes de ser o "quarto fabuloso" no lugar de Pete Best). E também seus integrantes marcaram em suas carreiras-solo (só Ringo não teve o sucesso comercial dos parceiros).

Pois a banda personifica bem o que é a diferença de anos dentro de uma década. Pode-se dizer, seguramente, que a banda de John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr foi um dos maiores símbolos da década de 1960, a última década revolucionária que tivemos.

A banda gravou discos entre 1963 e 1969. Let It Be, apesar de ter sido lançado em 1970, foi gravado até antes de Abbey Road, lançado no ano anterior. Cada ano era uma experiência rica que os quatro fabulosos de Liverpool - uma cidade industrial da Inglaterra - , que mesmo na sua fase "ingênua" era …

Décadas são diferentes em cada ano

Existe uma patota bastante animada que, quando contempla o passado, se comporta como criancinhas animadas e vão logo dando os créditos, vagos, de cada foto ou fato do passado: "meados dos anos 50", "final dos anos 60", "anos 40", "década de 50" e outras imprecisões similares.

Alguns até tropeçam e creditam como "anos 50" uma foto dos anos 40 e como "anos 60" uma foto dos anos 50. E todo mundo se comportando que nem moleques em excursão, mandando mensagens do tipo "Ah, eu fui para esta praça com meu pai comer algodão doce". "Eu me lembro deste dia, brinquei de pique-esconde com meus dois primos".

Mas nada de pesquisa séria. Nada de averiguar a data exata. Mesmo que citasse que brincou de pique-esconde, passeou com o pai, rodou de carro com o tio para tal fazenda e por aí vai, pelo menos poderia ter um espírito de pesquisa mais apurado.

As décadas são dinâmicas em cada uma. Uma década é composta de dez anos. E …

NÃO É DESCULPA VOCÊ NÃO TER VIVIDO ESSA ÉPOCA

Este blog pode ser lido por qualquer pessoa, mas é dedicado a quem nasceu a partir de 1978, que não acompanhou o Trem da História mesmo em alguns fatos recentes, como a Contracultura, a chegada do homem à Lua, e nem mesmo o Punk Rock vivenciou direito.

Esse pessoal, sobretudo no Brasil, foi instigado a apreciar referências posteriores a 1989. Ou, quando muito, obviedades de 1975 a 1979 (mesmo coisas mais antigas que essa época mas que estavam em voga então), ou tolices infantis dos anos 80.

É uma geração que só conheceu o rock dos anos 50-60 a partir de uma colagem do DJ Jive Bunny. Superestimou a disco music como se até o Village People fosse sofisticado. É uma geração que, sem conhecer Bertolt Brecht, personificou bem o analfabeto político por ele descrito num poema, ainda que essa geração pose de "engajada".

Essa geração só conheceu o rock contemporâneo através do enjoativo grunge, do ridículo poser metal e do patético poppy punk. A maior parte dos seus ídolos potenciais for…