sábado, 18 de março de 2017

PIONEIRO DO ROCK'N'ROLL, CHUCK BERRY MORRE AOS 90 ANOS


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Perdido em acomodação e até conservadorismo, o rock há muito perdeu sua essência. Enquanto isso, aos poucos vamos perdendo muitos músicos que fizeram a nobre história do gênero, e agora foi a vez de um de seus pioneiros. Chuck Berry, responsável pelos clássicos "Johnny B. Goode", "Maybellene", "Sweet Little Sixteen" e "Roll Over Beethoven", foi encontrado morto em sua casa no Missouri, EUA.

Chuck deixou pronto um disco de músicas inéditas, a ser lançado este ano. Ele foi um dos grandes músicos dos primeiros anos do rock'n'roll, no meio da década de 1950. Foi também um dos que chamaram a atenção do público com seus acordes de guitarra - da marca Gibson - e pela forte influência do blues, que exerceu sobretudo sobre os roqueiros ingleses dos anos 1960.

Sobre o falecimento de Chuck Berry, um relativo consolo: ele faleceu aos 90 anos, ou melhor, 91 anos incompletos (ele nasceu em 18 de outubro de 1926). O rock costuma ter um considerável número de músicos que não chegam sequer aos 70 anos (como, recentemente, David Bowie, morto dois dias após completar 69 anos), ainda mais na flor da juventude.

Pioneiro do rock'n'roll, Chuck Berry morre aos 90 anos

Da Agência France Press

A lenda do rock n’ roll Chuck Berry morreu neste sábado aos 90 anos, disse a polícia do estado americano do Missouri.

“O Departamento de Polícia do Condado de St. Charles confirma com tristeza a morte de Charles Edward Anderson Berry pai, mais conhecido como o músico lendário Chuck Berry”, disse o departamento no Facebook.

A polícia respondeu a uma emergência médica em uma casa na área, que fica no leste do estado de Missouri, perto da cidade de St. Louis.

Os agentes encontraram um homem inconsciente e não conseguiram reanimá-lo, disse o comunicado.

Berry, guitarrista e cantor, era conhecido por sucessos como “Roll Over Beethoven” e “Sweet Little Sixteen”, nos anos 50 e 60, e ajudou a moldar o gênero rock n’ roll.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

JOHN WETTON, VOCALISTA E BAIXISTA DO ASIA, MORRE AOS 67 ANOS


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Um dos músicos de carreira mais dinâmica no rock clássico, o baixista e cantor inglês John Wetton, também um dos grandes instrumentistas de rock progressivo, faleceu com 68 anos incompletos. Parece que 2016 não acabou, vendo grandes veteranos do rock morrerem sucessivamente.

A trajetória de Wetton foi tão rica que ele tocou em muitas bandas, várias delas destacadas: King Crimson, Uriah Heep, Roxy Music, Phenomena e Wishbone Ash, entre outros, além de ter feito sucesso como um dos integrantes do supergrupo Asia.

Outro membro-fundador do Asia, Carl Palmer, que lamentou o falecimento de Wetton, é o único remanescente do trio Emerson Lake & Palmer, já que dois integrantes, o tecladista Keith Emerson e o baixista Greg Lake (também ex-King Crimson), morreram em 2016.

John Wetton, vocalista e baixista do Asia, morre aos 67 anos

Do UOL Música - Com informações da Agência EFE

John Wetton, vocalista e baixista do grupo Asia, morreu nesta terça-feira (31), aos 67 anos. A informação foi confirmada pelos representantes do artista em seu site oficial. O músico sofria de câncer no cólon e estava afastado dos palcos para se tratar. 

O cantor britânico iniciou a carreira musical em bandas de rock progressivo como Family, Renaissance e Mogul Thrash, até que em 1972 foi convidado a fazer parte da King Crimson como substituto de Greg Lake. Três anos depois, por causa da separação da banda, Wetton se uniu a Bryan Ferry na Roxy Music.

Nos anos 80, se juntou a Steve Howe, Geoff Downes e Carl Palmer para formar Asia, banda que em seu álbum de estreia vendeu mais de dez milhões de cópias.  Ele ficou internacionalmente conhecido com singles como "Only Time Will Tell" e "Heat of the Moment".

"Com a morte do meu bom amigo e colaborador musical John Wetton, o mundo perde outro gigante musical. John foi uma grande pessoa que criou algumas das melodias e letras mais gravadas na música popular", disse Carl Palmer.

"Como músico, era inovador e atrevido, com uma voz que levou Asia ao mais alto das paradas de sucesso de todo o mundo. A valente batalha contra o câncer foi uma grande inspiração. Sentirei saudades de seu talento, seu seso de humor e seu sorriso contagiante", afirmou o baterista.

Além do King Crimson e do Asia, Wetton foi membro de outros grupos como Mogul Trash, Phenomena, Family, Roxy Music, Uriah Heep, UK e Wishbone Ash. Desde a sua segunda saída do Asia, em 1992, o baixista também fazia turnês solos.

De acordo com o site oficial, o baixista estava planejando uma nova turnê do Asia junto com o Journey.

Wetton enfrentou problemas com alcoolismo, mas há 11 anos se mantinha sóbrio e fazia parte de grupos contra o alcoolismo. O baixista deixa a esposa Lisa, o filho de 18 anos Dylan, o irmão Robert e a mãe Peggy.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

TOM JOBIM, 90 ANOS HOJE


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Diante do desmonte da música brasileira com o comercialismo voraz que reduz o que resta da MPB autêntica um processo quase estéril de homenagens intermináveis, vale lembrar um dos grandes criadores da nossa música, Antônio Carlos Jobim, que teria feito 90 anos hoje.

Tom Jobim, 90 anos hoje

Por Julinho Bittencourt - Revista Fórum

Tom Jobim, o maior compositor popular brasileiro de todos os tempos, faria hoje 90 anos. Pouco ou quase nada resta do país que Tom sonhou e cantou, mas a sua obra, algumas dezenas de canções maravilhosas e inesquecíveis, continuam imprescindíveis para a compreensão do Brasil contemporâneo.

Tom foi o primeiro grande produto musical brasileiro a ganhar o mundo sem fantasias exóticas. Tudo na sua obra é, desde sempre, sóbrio, moderno, rico e repleto de informações. Ao lado de outras manifestações que colocam o país num outro patamar como a arquitetura de Niemeyer, o Cinema Novo, Guimaraes Rosa e Villa-Lobos, ele inventou o Brasil que dá certo, desde que bem alimentado e educado.

Logo após a explosão da Bossa Nova, que começou em 59 com a gravação antológica do disco “Chega de Saudade”, de João Gilberto, que Tom considera como dele, o compositor foi aos EUA e, de lá, gravou alguns dos maiores álbuns do planeta. Estava, de fato, com o mundo do show business aos seus pés, o que lhe permitiu desfrutar do bom e do melhor, ou seja, o melhor som, os melhores músicos (desde que o baterista fosse brasileiro), a melhor distribuição e, no final das contas, o melhor público.

Como compositor, é bem verdade, Jobim foi interpretado por gente dos quatro cantos do planeta. “Garota de Ipanema”, dele e de Vinícius de Moraes, por exemplo, é a canção brasileira mais regravada de todos os tempos. No entanto, o que o autor nos deixou mesmo de maior foram estes álbuns autorais gravados nos EUA, onde as suas canções, muitas vezes banalizadas e diluídas, receberam o máximo respeito que sempre mereceram.

Um grande exemplo disso é a versão que fez ao lado de Elis Regina para “Águas de Março”. A canção, um dos clássicos de Tom, é tratada com certo humor, risinhos e brincadeiras no álbum “Elis & Tom” (pelos dois, justiça seja feita) que não existem na versão que o autor faz no seu álbum “Matita Perê”, de 1972. Nesta, com orquestrações de Claus Ogerman, o que pulsa de fato para acima dos intérpretes é a obra, a letra, a lama e a chuva, o drama e a distensão, enfim, a grandeza da canção.

Claus Ogerman, diga-se de passagem, estava lá com Tom na maior parte destes discos americanos. Fez com ele, além de “Matita Perê”, o disco solo de estréia de Tom “The Composer of Desafinado Plays”, o lindo “Urubu”, de 1976, e também “Wave” (1967), um dos grandes sucessos da carreira de Tom. Suas orquestrações são completamente diferentes de tudo o que se produzia em canção popular na época. Os dois, apaixonados por música erudita, ficaram amigos e compartilharam a paixão pelas texturas orquestrais de maior fôlego nestas gravações.

Outros discos do período americano merecem menção, sobretudo “Francis Albert Sinatra & Antônio Carlos Jobim” (1967), também com arranjos de Ogerman. Este foi o segundo disco mais vendido na América naquele ano, perdendo apenas para o “Sgt Peppers Lonely Hearts Club Band”, dos Beatles, o que rendeu uma das inesquecíveis piadas de Tom: “É, mas eles são quatro e eu um só”.

Vale ainda lembrar “The Wonderful World of Antônio Carlos Jobim” (1965), com arranjos de Nelson Riddle, um orquestrador mais afeito ao som das big bands do que as orquestras de música erudita.

Não há, no entanto, um disco, ou, sem medo de exagerar, uma nota de Tom que não mereça ser ouvida, repetida e aprendida para o todo e sempre. Haverá sempre algo a ser acrescentado e lembrado nesta rica e profusa obra maior. Por todas as efemérides que se seguirem daqui pra frente, Tom Jobim sempre estará nos ensinando algo.

ÍCONE DA TV NOS ANOS 70 E VENCEDORA DO EMMY, MARY TYLER MOORE MORRE AOS 80


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Uma das grandes atrizes da televisão estadunidense dos anos 1960 e 1970, Mary Tyler Moore, estrela de vários seriados e longa-metragens, faleceu em consequência de diabetes, aos 80 anos (81 incompletos). No começo da carreira, era também dançarina e modelo. Seu único filho, Richard Meeker Jr., em informação não descrita no texto abaixo, faleceu aos 24 anos em 14 de outubro de 1980, por disparo acidental de arma.

Ícone da TV nos anos 70 e vencedora do Emmy, Mary Tyler Moore morre aos 80

Do UOL Entretenimento

A atriz Mary Tyler Moore, vencedora de seis prêmios Emmy, indicada a um Oscar de melhor atriz e mais conhecida por seus papéis nas séries "The Mary Tyler Moore Show" e "The Dick Van Dyke Show", morreu nesta quarta-feira (25), aos 80 anos.

"Hoje, nosso amada e icônica Mary Tyler Moore faleceu aos 80 anos na companhia de amigos e de seu marido por 33 anos, Dr. S. Robert Levine", disse sua agente Mara Buxbaum à rede ABC News. "Uma grande atriz, produtora e apaixonada defensora da Fundação pela Pesquisa da Diabetes Juvenil, Mary vai ser lembrada como uma destemida visionária que transformou o mundo com seu sorriso."

A atriz morreu no hospital em que estava internada, em Connecticut, nos Estados Unidos, após complicações decorrentes da diabetes, doença que foi diagnosticada quando ela tinha apenas 33 anos, e da qual se tornou uma porta-voz da prevenção. No início de 2011, a atriz passou por uma cirurgia para remover um tumor benigno no cérebro.

Moore ganhou seis prêmios Emmy por seu sucesso na TV, principalmente no seriado "Mary Tyler Moore Show", exibido nos EUA de 1970 a 1977, e foi indicada ao Oscar por sua atuação em “Gente Como a Gente”, de 1980, dirigido por Robert Redford.

Feminista acidental

Mary Richards, a mulher solteira e dona de sua carreira interpretada por Moore nos anos 70 na série, surgiu junto com o movimento feminista, tornando-a um exemplo para todas as gerações de atrizes de comédia que vieram posteriormente, de Tina Fey a Ellen DeGeneres –embora a própria atriz não se considerasse feminista.

O programa, que focava na rotina de Mary Richards, a produtora de um fictício telejornal de Minneapolis e sua vida de solteira, ganhou 29 Emmys, recorde só quebrado anos depois, quando “Frasier” conquistou a 30ª estatueta. Além de quatro prêmios pelo papel, Moore ganhou um quarto pelo papel de Laura Petrie na série “The Dick Van Dyke Show”, e um sexto pelo telefilme “Stolen Babies” (1993).

Embora fosse mais conhecida pelo seu trabalho na TV, a atriz atuou em diversos filmes a partir dos anos 60, como o de uma freira no último filme de Elvis Presley, “Ele e as Três Noviças” (1969) e “Gente como a Gente” (1980), que lhe rendeu a única indicação ao Oscar de Melhor Atriz.

Moore nasceu no Brooklyn, em Nova York, em 29 de dezembro de 1936, a filha mais velha de três irmãos. Quando tinha 8 anos, a família se mudou para Los Angeles, onde foi criada numa comunidade católica.

Aos 17 anos, ela decidiu seguir carreira na dança e conquistou o primeiro emprego, como dançarina em comerciais da marca “Hotpoint”. O trabalho acabou quando ela engravidou do seu primeiro e único filho, Richard Meeker Jr., fruto da relação com o primeiro marido, Richard Carleton Meeker.

sábado, 21 de janeiro de 2017

LÍDER ESTUDANTIL PRESENTE EM COMÍCIO DE JANGO, JOSÉ SERRA HOJE COLABORA COM OS EUA

JOSÉ SERRA EM 1964 E EM 2016. 

Por Alexandre Figueiredo

As situações mudam. Um jovem líder estudantil a poucos dias de completar 22 anos, o então presidente da União Nacional dos Estudantes, José Serra, participava no comício do presidente da República João Goulart, na Central do Brasil, no Rio de Janeiro, em 13 de março de 1964.

A manifestação foi um sucesso mas causou indignação nas forças oposicionistas que pressionaram para o golpe de 1964, criando a Marcha da Família Unida com Deus pela Liberdade, realizada ironicamente na terra natal de Serra, São Paulo, e no dia do aniversário de 22 anos, 19 de março de 1964.

Os tempos passam e a mutação ideológica gradual do antigo líder estudantil, ligado ao grupo esquerdista católico Ação Popular (AP), no José Serra que fundou o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), de perfil inicialmente liberal de centro, mas depois inclinado para a centro-direita, revelou alguém oposto ao que Serra havia sido.

JOSÉ SERRA, AO LADO DE MIGUEL ARRAES, NO COMÍCIO DA CENTRAL EM 1964. ATUALMENTE, SERRA AO LADO DO PRESIDENTE MICHEL TEMER.

Observamos que João Goulart, herdeiro político de Getúlio Vargas, mas alinhado à centro-esquerda, prometia levar adiante as reformas de base prometidas. Para os desavisados de hoje, as reformas de Jango iam na contramão das "reformas" do atual presidente da República, Michel Temer, porque as reformas de base ampliariam os direitos e garantias das classes populares.

Já as "reformas" de Temer, a reforma trabalhista e a reforma previdenciária, ameaçam os direitos dos trabalhadores. Na reforma trabalhista, haverá flexibilização das negociações trabalhistas, o que dá vantagem aos interesses dos patrões quando prevalece o negociado sobre o legislado.

Já na reforma previdenciária, com aposentadoria alterada de 55/60 de idade e 25/30 de contribuição (mulheres/homens) para 65 anos de idade e 49 de contribuição para ambos os sexos, a medida prejudicará as classes mais pobres, que não chegam a atingir a idade mínima ou o tempo de contribuição mínimo para receber os benefícios previdenciários.

No comício de João Goulart, viam-se faixas de apoio à permanência da Petrobras (Petróleo Brasileiro S/A) como empresa pública que exercia o monopólio da extração e produção de petróleo. Surgida em 1953, a empresa já era ameaçada, nos anos 1960, de perder o monopólio - válido para garantir a soberania brasileira no uso de petróleo - para as empresas estrangeiras.

Cinco décadas depois, eis que o líder estudantil do passado, já como senador da República, colaborava com os EUA, numa ação antes inimaginável. Em 2014, documentos secretos dos EUA divulgados pelo Wikileaks já haviam divulgado que o então senador tucano José Serra negociava com a companhia petrolífera daquele país, a Chevron, uma boa fatia das reservas petrolíferas no pré-sal situadas no litoral brasileiro.

Com a crise política que tirou a presidenta Dilma Rousseff do poder, em maio de 2016, através de manobras supostamente legalistas e democráticas articuladas pela mídia, pelo Judiciário e pelo Legislativo, José Serra foi escolhido pelo vice-presidente que ocupava o mandato, Michel Temer, para ser o ministro das Relações Exteriores.

Em atuação bastante medíocre, até para os padrões estudantis - José Serra não deixou grandes marcas como presidente da UNE, mas pelo menos teve um mandato correto e eficiente - , o ministro das Relações Exteriores era capaz de fazer piadas machistas contra o fato de o Senado mexicano ser majoritariamente feminino.

Mas o pior nem é isso, embora fosse esta uma atitude deplorável por si mesma. O pior é que José Serra está negociando a venda de riquezas minerais brasileiras para empresas estrangeiras, chegando a promover negociações sem licitação.

José Serra colabora para o desmonte da soberania brasileira, sabotando também com o Mercosul, articulando uma pressão para tirar a Venezuela do bloco econômico, transformando esse grupo numa entidade próxima aos interesses dos EUA, que haviam fracassado na proposta de criar a ALCA (Aliança de Livre Comércio das Américas).

Serra também articula para a venda de serviços de monitoramento remoto do território brasileiro por satélite para empresas estrangeiras, além de querer transformar a base espacial de Alcântara, no Maranhão, em base dos EUA, com acesso restrito a técnicos estadunidenses.

A venda das riquezas minerais para empresas estrangeiras - não exclusivamente estadunidenses, mas privilegia as gigantes do petróleo (como Chevron, Exxon, Shell, Total e BP), mas dá uma falsa impressão de diversidade na quebra do monopólio da Petrobras. Uma estatal da Noruega, Statoil, adquiriu reservas de pré-sal nas bacias de Santos e Campos.

Uma lista para exploração de complexos petroquímicos em Santos e Itaboraí está restrita a companhias estrangeiras o que mostra o quanto a intenção do governo de Michel Temer em desvalorizar a economia brasileira prejudica o país, e revela a atuação de alguém que, um dia, esteve ao lado dos que defendiam o fortalecimento da economia nacional. A história mostra que devemos tomar cuidado com certos personagens.


quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

MORRE VIDA ALVES, ATRIZ QUE PROTAGONIZOU O PRIMEIRO BEIJO DA TV BRASILEIRA


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O meio televisivo perdeu a atriz Vida Alves, uma das primeiras estrelas da televisão brasileira, numa época em que não havia programas gravados e tudo era transmitido ao vivo.

Ela estreou a mais antiga novela da nossa TV, Sua Vida me Pertence, transmitida entre 1951 e 1952. Foi a novela da cena do primeiro beijo, entre ela e o ator-diretor Walter Forster, também um grande astro da televisão.

A novela é lembrada pela publicação estrangeira 1001 TV Shows You Must Watch Before You Die, organizada por Bill Condon, apesar de não haver informação de algum registro de cenas da novela, fora as fotos divulgadas na imprensa.

Vida Alves dedicou seus últimos anos trabalhando pela memória da história da nossa televisão. Entre os descendentes da atriz, destaca-se a neta, a cantora e compositora de MPB, Tiê.

Morre Vida Alves, atriz que protagonizou o primeiro beijo da TV brasileira

Do UOL, em São Paulo, com adaptações

Morreu na noite desta terça-feira (3), aos 88 anos, Vida Alves, conhecida por ter protagonizado o primeiro beijo da TV brasileira, ao lado do ator Walter Foster, na novela "Sua Vida Me Pertence", da extinta TV Tupi, em 1951. Ela também atuou no primeiro beijo gay, nos anos 1960, também na Tupi.

Na novela de 15 capítulos de 20 minutos cada um, transmitida ao vivo duas vezes na semana, escrita e dirigida também por Foster, Vida Alves teve como colega de elenco, entre outros, o ator Lima Duarte.

Ela, que morava em São Paulo, estava internada havia uma semana em um hospital no centro da cidade. Sua morte foi causada por uma falência múltipla dos órgãos.

Vida Alves deixa dois filhos, três netos e três bisnetos. A cantora Tiê, que é uma das netas, deixou uma mensagem de carinho nas redes sociais: "Dona Vida Alves fez a passagem. Minha amiga, minha avó, minha parceira, minha musa beijoqueira. 88 anos de muita luz, amor, arte e vida. Vire estrela e descanse em paz. Te amo pra sempre e vou sentir saudades todos os dias."

A atriz era uma das fundadoras da Associação dos Pioneiros da Televisão (Pró-TV) e durante muito tempo se dedicou ao Museu da Televisão Brasileira, em São Paulo.

A trajetória dela é contada na biografia "Vida Alves - Sem medo de viver", de Nelson Natalino, lançada em 2013 pela Editora Imprensa Oficial. 

O velório da atriz ocorre às 7h desta quarta-feira (4), no Cemitério do Araçá, em São Paulo. O enterro está previsto para acontecer às 16h. 

Vida Alves comemorou em dezembro do ano passado os 65 anos de "Sua Vida Me Pertence", primeira telenovela brasileira. Em depoimento ao programa Witness do serviço mundial da BBC, ela  disse que precisou do aval do marido para beijar Walter Foster na TV, o galã da novela e que também era diretor da TV Tupi. 

"O primeiro beijo precisou de autorização do meu marido, é claro", disse ela, que era recém-casada quando protagonizou a cena histórica. "Foi um beijo técnico. O Walter Foster apareceu na minha casa e disse: vamos ensaiar. Meu marido ficou meio assim, meio esquisito, mas concordou", se recordou. 

A atriz se lembrou em detalhes sobre o ensaio, feito sob os olhos do marido: "Walter ficou de pé, fez um carinho no meu cabelo, no rosto, no braço e encostou os lábios de leve nos meus. Eu fiquei ali, quietinha, esperando... e não aconteceu nada. O Walter disse: pronto".

Segundo Vida, havia uma sutileza na cena. "Não foi uma coisa diferente demais. Era um beijo simples, não uma bitoca como falam hoje em dia. Não era uma coisa espantosa, barulhenta. Era apenas um encostar de lábios", descreveu.

Ela também protagonizou o primeiro beijo gay da TV brasileira, que aconteceu no teleteatro "A Calúnia", em cena com a atriz Geórgia Gomide.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

CHACINA EM CAMPINAS "COMEÇOU" EM BÚZIOS

SOCIEDADE MACHISTA APOIOU DURANTE ANOS A "HONRA" DOS FEMINICIDAS, COMO NO CASO DE DOCA STREET. NA FOTO, PESSOAS PRESTAM SOLIDARIEDADE A ELE.

A recente chacina numa festa familiar de Reveillon, na cidade de Campinas, no interior de São Paulo, é um triste marco, juntamente com o espancamento de um ambulante, no Natal de 2016 numa estação de metrô em São Paulo, e a chacina num presídio de Manaus, no começo deste ano, da onda de convulsões sociais a abalar o Brasil que busca recuperar contextos sociais retrógrados.

Na chacina de Campinas, a motivação foi o ódio do técnico de laboratório, Sidnei Ramis de Araújo, de 46 anos, contra a ex-mulher, Isamara Filier, de 41 anos, e o filho João Victor, de oito anos. Sidnei já foi denunciado seis vezes por agredir a ex-mulher, que o acusava também de abuso sexual contra o menino.

Movido por ciúmes doentios e um ódio social típico dos reacionários de extrema-direita, Sidnei havia escrito uma carta na qual chamava boa parte das mulheres de "vadias", incluindo tanto a ex-mulher como a ex-presidenta Dilma Rousseff, além da idealizadora da Lei Maria da Penha, ela sobrevivente de uma tentativa de feminicídio, apelidada de "vadia da penha".

A carta era direcionada ao filho, que Sidnei dizia "amar". Mas, na ocasião da chacina, quando João Victor gritou para o pai que ele assassinou a mãe, Sidnei atirou no filho, tirando-lhe a vida. Ele atirou em quinze pessoas, nas quais doze morreram, a maioria mulheres, e, entre homens e mulheres, em boa parte familiares e amigos de Isamara.

O ato é definido como feminicídio de motivação conjugal, novo nome para o termo, considerado discutível, de "crime passional", que prevaleceu durante anos a partir de um crime que abalou o Brasil cometido no final de 1976.

No dia 30 de dezembro de 1976, o empresário e figurão da alta sociedade, Raul Fernando do Amaral Street, de ilustre família aristocrata, apelidado de Doca Street (apelido que, ironicamente, junta as ideias de cais e asfalto), movido por ciúme doentio contra a mulher, a socialite Ângela Diniz, a assassinou com dois tiros num quarto de hotel na Praia dos Ossos, em Armação de Búzios.

Doca alegava que Ângela "não cumpria as responsabilidades de esposa" e estaria tendo um caso com outra mulher. Ele havia dito que a vítima foi morta por "legítima defesa da honra". O crime tornou-se um símbolo do machismo vingativo de homens tidos como privilegiados na conquista de mulheres e que se acham no direito de vida e morte sobre elas.

Por ironia, o crime aconteceu no então distrito de Cabo Frio, mas bastante próximo a outro distrito, Barra de São João, do município de Casimiro de Abreu, onde está o túmulo do poeta ultrarromântico que deu nome à cidade. Casimiro (que no dia 04 de janeiro faria 180 anos de nascimento) simbolizava outro tipo de homem, o oposto de Doca, solitário, incapaz de conquistar as mulheres, de índole bondosa e personalidade mais modesta e sensível.

Doca foi julgado pela última vez em novembro de 1981, tendo como advogado Evandro Lins e Silva, que foi defender um machista rico num desvio da trajetória progressista do jurista, procurador-geral da República nos tempos de João Goulart. A liberdade condicional foi dada porque Doca "não oferecia perigo à sociedade".

Certo. Mas o problema é que o crime de Doca inspirou uma onda de outros crimes, que fizeram o lado sombrio dos anos 80 com mortes de muitas mulheres por mesquinharias conjugais. A cada impunidade dada a seus assassinos, noticiada na mídia, surtos de feminicídios conjugais aconteciam, criando um "contágio" que se reflete até os nossos dias.

O Brasil está na lista dos cinco países que mais cometem feminicídios no mundo. Isso fez com que a presidenta Dilma Rousseff sancionasse lei classificando o crime não mais como doloso - crime intencional, mas que permite atenuantes na condenação, como a prisão por regime aberto ou semi-aberto (neste caso, quando o condenado tem que passar a noite na prisão) - mas como hediondo, obrigando a condenação em regime fechado de prisão no prazo máximo legal, de 30 anos.

O crime de Doca reflete o conservadorismo machista que prevalece ainda no país, embora em processo de decadência. Ainda há manifestos como os da foto acima, de pessoas se solidarizando com o assassino de Ângela Diniz. como nas expressões de machismo que ocorrem nas mídias sociais, redutos de extremo reacionarismo combinado com libertinagem.

Diante disso, a cada impunidade cometida, e a de Doca foi o primeiro de grande repercussão, surtos de feminicídio conjugal ocorrem porque os assassinos se identificam com o "liberto", vendo no seu crime uma forma de manifestação de uma "defesa da honra masculina", diante da criminalização das mulheres, consideradas "traidoras" mesmo quando educadamente pedem a separação de seus maridos, namorados e noivos.

É como se o feminicídio conjugal, a cada impunidade anunciada, representasse aos feminicidas uma "fórmula de sucesso", diante de um estranho moralismo no qual os machistas se julgam "superiores" e, mesmo cometendo crimes de morte, ainda querem ser vistos como "coitados" que cometeram atos comparáveis ao de quebrar um vaso. Infelizmente, nessa "moral" machista, a vítima, a mulher, é sempre vista como "culpada".

E, de surtos em surtos, chegou-se ao caso da chacina de Campinas, quando Sidnei matou a esposa que definiu como "vadia" e contra a qual sentiu profundo ódio. Matou outras pessoas que tinham relação com ela e, como os tempos são outros, Sidnei se matou por ver que a coisa ficaria pesada contra ele. Mas os estragos foram feitos. E imaginar que toda essa onda de crimes contra a mulher teve início numa noite de fim de ano em Búzios...